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Cientistas europeus cortam cérebro em sete mil partes

Cientistas europeus cortam cérebro em sete mil partes
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Compreender melhor o cérebro humano e conseguir imitá-lo é um dos grandes sonhos da ciência.

Para tentar perceber melhor o funcionamento do cérebro, os cientistas do projeto europeu Human Brain procederam ao corte de um cérebro em várias fatias.

"Para obter detalhes a nível celular e ver a morfologia das células, as ligações chamadas axónios, temos de cortar o cérebro em fatias. É o que fazemos aqui", explicou Katrin Amunts, diretora científica do projeto Human Brain.

O centro de investigação de Jülich, na Alemanha, é um dos raros no mundo com capacidade técnica para cortar um cérebro em sete mil partes. Cada parte foi digitalizada e reconstruída informaticamente dando origem a um modelo 3D.

"Durante o processo, aconteceu várias vezes, cortámos as células em duas partes. Quando queremos reconstruir essas partes numa imagem 3D, temos de encontrar os dois elementos da célula que foram separados. Como há muitas células, é um verdadeiro desafio", considerou Katrin Amunts.

Os investigadores usam um supercomputador para processar a enorme quantidade de dados obtidos graças à digitalização do cérebro. Mas não é fácil imitar a complexidade da mente humana.

"É preciso usar os maiores computadores existentes para conseguir simular uma pequena fração dos nossos cérebros", sublinhou Dirk Pleiter, perito em supercomputadores do projeto Human Brain.

Um computador capaz de pensar

O projeto Human Brain é composto por vários subprojetos. Uma equipa de investigadores da Suíça ambiciona construir um computador capaz de pensar, o chamado computador neuromórfico.

"Neuromórfico significa 'como os neurónios'. Partimos da física dos neurónios, copiamo-la para circuitos integrados e obtemos 200 mil neurónios, que se comportam como neurónios no cérebro, mas que são dez mil vezes mais rápidos", explicou Mihai Petrovici, neurocientista computacional da Universidade de Berna.

Apesar de ser rápido, o computador neuromófico criado pelo projeto Human Brain possui apenas a inteligência de um mosquito. O verdadeiro desafio científico não é a rapidez, mas, entender a complexidade do cérebro, o que permitiria fazer coisas inimagináveis.

" Se um dia conseguirmos reproduzir o que fazemos à escala do cérebro e perceber a arquitetura do cérebro, teremos agentes cognitivos que operam milhares de vezes mais depressa que os agentes cognitivos de carne e osso que estão à volta desta mesa", afirmou Mihai Petrovici.

A directora do projeto Human Brain mostra-se mais cautelosa em relação à possibilidade de imitar o cérebro humano.

"É difícil imaginar uma experiência que nos diga que uma determinada rede artificial conseguiu desenvolver consciência. Há ainda questões filosóficas e técnicas profundas que terão de ser resolvidas", sublinhou Katrin Amunts

Outro dos objetivos do projeto europeu Human Brain, que termina em 2023, é criar uma plataforma comum para as neurociências que possa ser usada por cientistas do mundo inteiro.