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Banco de Cérebros Humanos pede doações a pessoas saudáveis

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Um dos 60 exemplares armazenados no Banco de Cérebros Humanos
Um dos 60 exemplares armazenados no Banco de Cérebros Humanos   -   Direitos de autor  LUSA/ Estela Silva
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O Banco de Cérebros Humanos de Portugal, que funciona no Hospital de Santo António, no Porto, tem cerca de 60 exemplares armazenados oriundos de pessoas com doenças com doenças neurológicas, mas pretende começar a receber a partir deste ano doações de exemplares saudáveis.

A funcionar desde 2012, tendo os primeiros dois anos sido em forma de projeto-piloto, o único banco de cérebros do país só recebe atualmente tecido cerebral de pessoas com doenças neurológicas “bem definidas”, como por exemplo Alzheimer, Parkinson ou Esclerose Lateral Amiotrófica, mas quer agora receber cérebros sãos, contou à Lusa o coordenador-executivo, Ricardo Taipa.

“Este ano temos de arranjar forma de ter cérebros de adultos saudáveis e que estejam dispostos a colaborar com a ciência”, disse.

O clínico explicou que, para esta ideia ser uma realidade, o dador deve manifestar essa vontade em vida, por escrito, e ser acompanhado para, quando morrer, o banco ter informações detalhadas sobre a sua saúde, nomeadamente se teve alguma doença.

Esta questão obriga a “extravasar” as competências do banco, que passa a ter de ser um projeto articulado com clínicos associados para haver “feedback” sobre os doadores.

Os dados obtidos de um cérebro saudável são “valiosíssimos” e fundamentais para o futuro e, portanto, a importância da sua recolha é “urgente”, disse Ricardo Taipa.

“Tivemos uma reunião com a nossa comissão científica, da qual faz parte o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, e a Escola de Medicina da Universidade do Minho, em Braga, para estudar a possibilidade de colher tecido cerebral dos corpos que são doados à ciência para o ensino”, adiantou.

O coordenador-executivo referiu que a recolha de cérebros sãos é “fundamental” para perceber o que é normal e anormal.

Por exemplo, se os profissionais não souberem como é um cérebro de uma pessoa cognitivamente normal aos 90 anos não conseguem comparar com um cérebro de uma pessoa de 60, 70 ou 80 anos com uma doença, ressalvou.

Atualmente, e dado não terem esses tecidos, o neuropatologista explicou que sempre que precisam desse material para estudos de comparação solicitam a outros bancos de cérebros internacionais, dado integrarem uma rede de bancos.

Apesar de ter apenas nove anos de existência, o banco português já conseguiu, quer individualmente, quer em grupo, fazer algumas descobertas “interessantes”, confidenciou.

“Descobrimos uma forma genética de Parkinson que se desconhecia qual era a sua patologia”, avançou.

Falando na necessidade de envolver mais grupos de investigadores neste projeto, assim como academias, Ricardo Taipa reforçou que o banco de cérebros existe para diferentes investigações em neurociências, cujo objetivo é descobrir curas para as doenças.