Na cimeira da UE em Bruxelas, as atenções centram-se na ajuda à Ucrânia, no conflito do Médio Oriente e nos preços da energia. A Alemanha é dura com a Hungria e rejeita tanto uma missão da NATO em Ormuz como um possível limite para o preço do gás.
No final da semana, os chefes de Estado e de Governo europeus reunir-se-ão em Bruxelas para o Conselho Europeu. Entre eles, o chanceler alemão Friedrich Merz (CDU). Tem muito para discutir com os líderes da UE. Em particular: o empréstimo bloqueado para a Ucrânia, a guerra no Médio Oriente e as exigências de Trump para apoiar a NATO, bem como a frágil competitividade da UE, que está a sofrer ainda mais devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
Na véspera da reunião, círculos governamentais disseram à Euronews que a Alemanha não queria ser "chantageada" pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.
Orbán está a bloquear, com um veto, um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia. Orbán está a associar a sua aprovação à exigência de reparação do oleoduto Druzhba. A Rússia utilizava-o para fornecer petróleo aos países europeus antes de este ter sido danificado no final de janeiro de 2026. Desde então, o petróleo russo deixou de chegar à Hungria e à Eslováquia. Ambos os países são fortemente dependentes do oleoduto.
Merz: "A Alemanha não faz parte desta guerra"
De acordo com o Conselho da UE, a Ucrânia aceitou agora uma oferta da União Europeia, que pretende fornecer apoio técnico e financeiro para a reparação.
O empréstimo bloqueado coloca a Ucrânia numa situação precária: no final do ano passado, os especialistas previam que a Ucrânia poderia ficar sem dinheiro na primavera.
De acordo com os círculos governamentais, a falta de vontade da Hungria em cooperar até agora causou "arrependimento". No entanto, o debate está agora a ganhar força.
As votações sobre a política da UE para o Médio Oriente também deverão ser difíceis. A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, rejeitou recentemente os pedidos de Trump para que a Europa apoie a segurança do Estreito de Ormuz: "Esta não é a nossa guerra", disse Kallas. "Ninguém quer estar ativamente envolvido nesta guerra".
O chanceler alemão Friedrich Merz (CDU) também falou claramente durante a sua visita à Noruega no final da semana passada: disse que não via razão para pensar em proteger militarmente as rotas marítimas. "A Alemanha não faz parte desta guerra e não queremos fazer".
À margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas, na segunda-feira, Johann Wadephul (CDU) também se pronunciou contra a intervenção. Não acredita que a NATO seja responsável pelo Estreito de Ormuz.
Governo rejeita limite do preço do gás
No entanto, o governo é responsável pelas consequências do bloqueio. O Estreito é uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de petróleo. As consequências já estão a ser sentidas pelos condutores alemães, nomeadamente nas bombas de gasolina. No entanto, o impacto na indústria alemã, já enfraquecida, será provavelmente muito mais grave.
Para o governo alemão, é evidente que a "ordem de mérito" tem de ser mantida, como a Euronews soube através de círculos governamentais. Por um lado, a ordem de mérito significa que a central elétrica mais cara determina o preço para todos. Por outro lado, as fontes de energia mais baratas são utilizadas em primeiro lugar, como as energias renováveis. O governo é crítico em relação a quaisquer intervenções no mercado. Há demasiadas preocupações de que estas possam desestabilizar ainda mais o mercado.
Recentemente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, levantou também a possibilidade de limitar o preço do gás. De acordo com os círculos governamentais, o governo alemão é crítico em relação a este assunto.