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Aduaneiros franceses preocupados com o Brexit

Aduaneiros franceses preocupados com o Brexit
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A Euronews continua a sua roadtrip pela Europa. Depois de Portugal e Espanha, chegámos a França. Estamos nas portagens de Boulou, ponto de passagem icónico perto da fronteira com a Espanha. Foi bloqueado pelos coletes amarelos nos últimos meses, mas hoje estes engarrafamentos não são causados por eles. São os funcionários das alfândegas que pedem melhores condições de trabalho, nomeadamente no contexto do Brexit.

Do norte ao sul do país, há um mês que a entrada no hexágono se faz a baixa velocidade.

Ficou conhecida como greve de zelo, embora os funcionários façam o trabalho cuidadosamente, de forma a provocar filas. Estes controlos reforçados pretendem chamar a atenção para os riscos do Brexit, uma sobrecarga de trabalho para a qual a administração não está preparada, segundo os sindicatos.

"É finalmente o renascimento da fronteira. A partir do momento que a fronteira volta a ser relevante, o funcionário da alfândega volta à primeira linha. O Brexit terá impactos tanto ao nível económico, como sobre a segurança do território. A nível económico, serão registadas mais 2 a 3 milhões de declarações do que atualmente, A nível da segurança do território vai significar mais controlos de passageiros. Esta situação representa a gota de água que faz transbordar o copo", vinca o sindicalista da CGT, Jean-Christophe Albrich.

No caso de um Brexit duro, os funcionários alfandegários do sul da França estão preparados para ajudar os colegas do norte, de Calais e Dunquerque, mas os sindicatos estão à espera de de um gesto forte. Alguns dizem sentir-se desamparados.

"A alfândega hoje está em perigo, por falta de pessoal e de meios. Pedimos que seja revisto em alta o número de funcionários, porque tem vindo a ser reduzido ao longo dos anos, em média um funcionário por dia durante vários anos consecutivos", sublinha Meritxell Stoecklin, sindicalista da CGT.

O Governo francês anunciou 700 contratações e um investimento de 14 milhões de euros. Mas os sindicatos dizem que não é suficiente, que sabem que têm um trunfo na manga, quando se aproxima o deadline de 12 de abril.