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Ao encontro dos Coletes Amarelos

Ao encontro dos Coletes Amarelos
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A euronews continua a sua "road trip" por 14 países da UE para ouvir os assuntos que interessam aos cidadãos, com vista às eleições europeias de maio.

Depois de atravessar a fronteira entre Espanha e França, a nossa equipa fez uma paragem para abordar uma das grandes questões políticas em território francês: o movimento dos Coletes Amarelos.

Cyril Fourneris, euronews: "A nossa rota em direção às eleições europeias continua: hoje estamos em Narbonne, uma cidade tranquila do sul de França que foi um bastião do movimento dos Coletes Amarelos. Encontrámos alguns dos seus membros, numa rotunda que ocuparam, por vezes durante dias e noites. Explicaram-nos por que razão é que ainda não retiraram os coletes, quase cinco meses depois dos primeiros protestos, e nós perguntámos qual é o futuro para os Coletes Amarelos?"

O movimento começou com um protesto contra a subida dos preços dos combustíveis, mas evoluiu para problemas mais gerais na sociedade. Os Coletes Amarelos dizem querer uma França diferente e mais justa.

Sylvie: "Olá, chamo-me Sylvie e tenho 47 anos. Sou de Narbonne."

Laly: "Eu chamo-me Laly e sou colete amarelo desde 20 de novembro."

Sylvie: "Comecei com os coletes amarelos a 17 de novembro."

William: "O meu nome é William, tenho 68 anos."

Beatrice: "Sou a Beatrice e tenho 56 anos. Tenho seguido o movimento dos Coletes Amarelos pessoalmente desde 17 de novembro."

William: "Começou no dia 17, mas antes já protestávamos de dentro dos carros, abanando os coletes amarelos à janela."

Beatrice: "Porquê? Essa é a grande questão!"

Sylvie: "Simplesmente porque a vida se tornou demasiado cara."

Beatrice: "É inaceitável que hoje em dia não consigamos viver com os nossos salários."

William: "Há pessoas que vivem em sítios onde nem punha o seu cão."

Laly: "Recebo 480 euros de ajudas sociais, com os quais tenho de pagar uma fatura de eletricidade de 162 euros que acabo de receber. E também recebi outra de 170 euros de água. Sobram 50 euros para o resto do mês, para quatro semanas. Para viver e comer... Está tudo dito! [...] E não sou a única!"

Beatrice: "Há muitas pessoas assim!"

Sylvie: "Isto afeta todas as pessoas."

William: "E ficamos surpreendidos que as pessoas estejam zangadas... Isso é normal!"

Beatrice: "A violência que vejo, não nas notícias na televisão, mas no computador, nas páginas dos coletes amarelos, é a violência da repressão policial. É a única que vejo!"

Sylvie: "Temos todos o mesmo objetivo: que mude tudo, que haja mais humanidade, porque há demasiada miséria, não apenas em França, mas em todo o mundo."

Beatrice: "Um partido político dos coletes amarelos? Não... Nunca votaria Colete Amarelo."

Sylvie: "É um movimento apolítico. Não queremos entrar em política."

William: "Se continua terão de organizar-se, é inevitável. Terão de criar um movimento político, como em Itália ou Espanha. Isso vai acontecer, é o que espero porque, infelizmente, sem política ninguém dá ouvidos, nem fala connosco. Terão de entrar nesse mundo apodrecido."

Sylvie: "Muitas pessoas apoiam-nos e dizem-nos que devemos continuar."

William: "Estamos aqui, ainda... Apesar do que continuam a dizer nos media. Não é verdade. Estamos aqui."