Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Oposição exige que governo explique utilização das Lajes pelos EUA na sua incursão contra o Irão

Caças F16 dos EUA aterram na Base Aérea 4 nos Açores, 20/02/2026. Kurt Mendonça/ASAS DOS AÇORES
Caças F16 dos EUA aterram na Base Aérea 4 nos Açores, 20/02/2026. Kurt Mendonça/ASAS DOS AÇORES Direitos de autor  Kurt Mendonça/ Asas dos Açores / Facebook
Direitos de autor Kurt Mendonça/ Asas dos Açores / Facebook
De Manuel Ribeiro  & euronews
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

A Base Aérea das Lajes tem recebido um número exponencial de aeronaves da Força Aérea dos EUA. Os partidos de oposição pedem ao governo que esclareça se a Administração Trump solicitou autorização a Portugal para utilizar essa base nos Açores na sua incursão contra o Irão.

José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista (PS), acusou, no sábado, o Governo de não cumprir o dever de informação aos partidos, no que diz respeito às manobras militares na Base Aérea n.º 4 (BA4) nos Açores.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A BA4, na ilha Terceira, nos Açores, tem registado um aumento no tráfego de aviões militares ao longo da semana. Na quarta-feira, um dos maiores aviões de carga da Força Aérea dos EUA aterrou nas Lajes para reabastecimento. Nessa mesma tarde, a Agência Lusa reportava que estavam estacionados na BA4 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17 Globemaster III (o tal gigante militar dos ares).

Na sexta-feira, o ministro da Defesa, Nuno Melo, recusou-se a abordar o assunto, justificando-se pelo facto de não se tratar de uma área da sua tutela. "Eu acho que é hoje claro que existe um protocolo entre Portugal e os Estados Unidos da América para a utilização da Base das Lajes e a Defesa Nacional não tem que autorizar a utilização da Base das Lajes, embora entregue à Força Aérea, porque essa utilização não tem a ver com os Estados Unidos, mas resulta desse protocolo", disse Nuno Melo, citado pela Agência Lusa.

O líder do PS juntou-se a outros partidos da oposição que, ao longo da semana, têm exigido explicações ao governo.

“Todos sabemos que há um acordo de cedência da Base das Lajes a um aliado e a um amigo que são os Estados Unidos, é um aliado estratégico. É um amigo de longa data com quem queremos preservar essa relação. Mas o povo português tem o direito a saber os termos e para que efeitos é que a base das lajes é utilizada neste e noutras alturas”, disse José Luís Carneiro, numa visita a Baião, no distrito do Porto, antes de uma reunião com militantes e simpatizantes socialistas.

Cargueiro militar C-17 Globemaster III aterra na Base Aérea 4 nos Açores, 20/02/2026. Foto partilhada publicamente no Facebook,
Cargueiro militar C-17 Globemaster III aterra na Base Aérea 4 nos Açores, 20/02/2026. Foto partilhada publicamente no Facebook, Kurt Mendonça/Asas dos Açores / Facebook

Portugal e os EUA gozam de um acordo de cooperação para a utilização da Base das Lajes, na Ilha Terceira. Em declarações à Euronews, Francisco Pereira Coutinho, professor da Universidade Nova de Lisboa, explicou que, ao abrigo deste Acordo Técnico das Lajes, integrado no Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os EUA de 1995, é dada aos Estados Unidos a permissão para recorrer à Base das Lajes de "forma quase ordinária, corriqueira", também pelo facto de ambos os países serem "parte da Aliança Transatlântica (NATO)".

No entanto, os partidos da oposição estão preocupados com a possibilidade de a infraestrutura portuguesa ser utilizada como plataforma logística para uma eventual invasão militar contra o Irão, que, para já, está fora do âmbito da Aliança.

Na sexta-feira, o PCP "condenou a eventual utilização da Base das Lajes pelos EUA para a escalada de agressão ao Irão" e exigiu que o governo faça um esclarecimento "pronto e urgente"

O ministro dos Negócios Estrangeiros também se tem escusado a fornecer uma resposta concreta sobre este assunto aos jornalistas, mas o Presidente da República fez saber que o Governo acompanha "com proximidade e com conhecimento de causa" a utilização da Base das Lajes pelos EUA e considerou que "não vale a pena fazer especulações", e conversou com Paulo Rangel sobre este assunto.

"O senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros informou-me já há uma semana da possibilidade de a Base das Lajes vir a ser utilizada nos termos do acordo existente entre Portugal e os Estados Unidos da América", disse o Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, na sexta-feira, durante uma visita de Estado a Madrid.

EUA reforçam meios para eventual ataque ao Irão

ARQUIVO (17.09.2025). O porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford a sair do fiorde de Oslo em Nesodden e Bygdøy, Oslo, Noruega
ARQUIVO (17.09.2025). O porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford a sair do fiorde de Oslo em Nesodden e Bygdøy, Oslo, Noruega AP Photo

Os Estados Unidos estão a reforçar a sua presença militar no Médio Oriente num contexto de um possível ataque ao Irão que vive momentos de alta tensão interna originada por protestos massivos contra o regime.

Donald Trump exige que Teerão desista do seu programa nuclear e estabeleceu um prazo “máximo” de 15 dias, caso contrário, haverá consequências que poderão incluir ações militares.

Enquanto as conversações entre os dois países sobre o programa nuclear decorrem em Genebra, Trump ordenou a mobilização das suas tropas para o Médio Oriente. Talvez a maior desde a invasão ao Iraque, disse uma especialista em estratégia militar ao Financial Times.

Além das dezenas de aeronaves que passaram pelos Açores, os EUA enviaram dois porta-aviões para a região do Médio Oriente, o que implica milhares de soldados, sistemas de defesa antiaérea, aviões e helicópteros, além de navios-escolta da frota naval e de submarinos de ataque.

Vários caças e aeronaves de apoio adicionais dos EUA também aterraram no Médio Oriente. Dezenas de caças, incluindo F-35, F-22, F-15 e F-16, partiram de bases nos EUA e na Europa e foram avistados a caminho do Médio Oriente pela Military Air Tracking Alliance, uma equipa de cerca de 30 analistas de código aberto que analisa regularmente a atividade de voos militares e governamentais.

A equipa afirma que também rastreou mais de 85 aviões-tanque e mais de 170 aviões de carga a caminho da região em meados de fevereiro. A onda massiva foi precedida, semanas antes, pela chegada dos F-15E Strike Eagles da Força Aérea. O Comando Central dos EUA afirmou nas redes sociais que o caça a jato "aumenta a prontidão para o combate e promove a segurança e a estabilidade regional".

O porta-aviões USS Abraham Lincoln e três contratorpedeiros com mísseis guiados estão no Mar Arábico desde o final de janeiro, após terem sido redirecionados do Mar da China Meridional.

O grupo de ataque, que trouxe cerca de 5.700 militares adicionais para a região, reforçou a força menor de alguns contratorpedeiros e três navios de combate litoral que já estavam na região.

Duas semanas depois, Trump ordenou que o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, juntamente com três contratorpedeiros e mais de 5.000 militares adicionais, se dirigissem para a região.

Na semana passada, o porta-aviões USS Gerald R. Ford foi avistado no estreito de Gibraltar, depois de ter ativado o seu sistema de rastreio durante algum tempo, na quarta-feira, mas não há qualquer registo de que tenha passado próximo de Portugal no seu caminho marítimo para o Médio Oriente.

Portugal tem o quartel-general da força naval de ataque da NATO, o STRIKFORNATO, em Oeiras, na Grande Lisboa.

O seu comandante acumula as funções de Comandante da 6ª Frota dos EUA e de Vice-Comandante das Forças Navais dos EUA na Europa, a partir de Nápoles, em Itália, onde a 6ª Frota norte-americana tem maior presença.

O STRIKFORNATO tem, sobretudo, servido de plataforma para exercícios navais a partir da sede em Oeiras, como foi o caso do BALTOPS 2020 — o 50.º exercício de operações no Báltico — o quartel-general coordenou operações a partir de Portugal, a 1.400 milhas da área de exercício, coordenando meios multinacionais para treino de fogo real e manobras.

Em junho de 2025, o STRIKFORNATO, a partir de Oeiras, dirigiu o Grupo de Combate Expedicionário espanhol, liderado pelo porta-aviões Juan Carlos I, durante a operação Neptune Strike no Mediterrâneo.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

EUA podem usar Base das Lajes para atacar Irão desde que respeitem tratado com Portugal, admite MNE

Omã confirma nova ronda de negociações nucleares entre EUA e Irão quinta-feira em Genebra

Portugal reforça segurança em aeroportos e embaixadas devido a conflito no Médio Oriente