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Ferramenta de IA deteta risco de violência doméstica anos antes de vítimas pedirem ajuda

Segundo um relatório da Comissão Europeia, 18% das mulheres que alguma vez tiveram parceiro disseram ter sofrido violência física ou sexual do parceiro em 20
Segundo um relatório da Comissão Europeia, 18% das mulheres que alguma vez tiveram parceiro afirmaram ter sofrido violência física ou sexual pelo parceiro em 20 Direitos de autor  Canva
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De Roselyne Min
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O novo sistema de IA identifica padrões de lesões físicas associados a maus-tratos e permite que profissionais de saúde intervenham mais cedo.

Cientistas desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial (IA) para ajudar médicos a identificar doentes que possam estar em risco de violência exercida por parceiro íntimo (intimate partner violence, IPV), potencialmente anos antes de as vítimas procurarem ajuda.

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Investigadores nos Estados Unidos treinaram um modelo de aprendizagem automática com dados recolhidos durante visitas regulares ao hospital. O estudo (fonte em inglês) foi publicado na revista Nature.

A violência exercida por parceiro íntimo diz respeito a abusos cometidos por parceiros atuais ou anteriores e pode provocar lesões graves, dor crónica e perturbações de saúde mental.

De acordo com um relatório (fonte em inglês) da Comissão Europeia, 18 por cento das mulheres que alguma vez tiveram parceiro disseram ter sofrido violência física ou sexual por parte do parceiro em 2021.

Atualmente, a deteção de violência doméstica nos hospitais baseia-se, em geral, em perguntas feitas pelos médicos aos doentes sobre a sua segurança em casa. Mas muitas vítimas não revelam os abusos por medo, estigma ou receio pela própria segurança, o que faz com que muitos casos não sejam detetados.

A equipa de investigação utilizou registos de vários anos de quase 850 mulheres que tinham sofrido violência exercida por parceiro íntimo e de mais de 5 200 doentes de idade semelhante, num grupo de controlo, para construir três sistemas de IA diferentes e testar até que ponto a tecnologia conseguia identificar pessoas em risco.

O primeiro sistema analisou dados estruturados do hospital, como idade, historial clínico e outras informações padrão dos doentes. O segundo concentrou-se em notas médicas escritas, incluindo observações dos médicos e relatórios de radiologia. O terceiro sistema combinou ambos os tipos de informação.

Os três modelos tiveram um bom desempenho, mas o sistema combinado revelou-se o mais preciso: identificou corretamente o risco em 88 por cento dos casos.

A ferramenta também conseguiu assinalar possíveis situações de abuso mais de três anos antes de muitas vítimas entrarem em programas hospitalares de intervenção em casos de violência doméstica.

Ao analisar grandes volumes de dados hospitalares em simultâneo, o novo sistema de IA consegue detetar padrões de trauma físico associados a abusos e sinalizar doentes cujos registos se assemelham aos de casos confirmados, permitindo que os profissionais de saúde intervenham mais cedo.

«Esta ferramenta de apoio à decisão clínica pode ter um impacto significativo na previsão e prevenção da violência exercida por parceiro íntimo», afirmou Qi Duan, diretor do programa da divisão de tecnologias de informática em saúde do National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering (NIBIB), dos National Institutes of Health dos EUA.

«Atendendo à prevalência destes casos, a ferramenta pode tornar-se um recurso transformador para a saúde pública», acrescentou Duan.

Os investigadores sublinham que a tecnologia foi concebida para apoiar os clínicos, e não para substituir o seu julgamento. O sistema não diagnostica abusos nem obriga os doentes a revelar informação. Em vez disso, fornece um sinal que pode ajudar os médicos a abordar o tema com cuidado e a oferecer apoio, se necessário.

«O nosso trabalho representa uma mudança no sentido de reconhecer o risco mais cedo, utilizando informação já presente nos dados de saúde», explicou Bharti Khurana, radiologista de urgência no Mass General Brigham e professora associada na Harvard Medical School.

Segundo os investigadores, está previsto integrar a tecnologia nos sistemas eletrónicos de registo clínico, para que os hospitais possam receber avaliações em tempo real durante os cuidados de rotina.

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