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Pode a cultura ajudar a debater política?

Pode a cultura ajudar a debater política?
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No extremo leste do Mar do Norte, a idílica ilha de Texel transformou-se no centro de discussão política durante três dias.

"Pode a cultura e o lazer ser o caminho para atrair as pessoas para discutir política, especialmente entre os jovens? Como explicar os desafios das eleições europeias e quais são os temas que mais chamam a atenção? Foi isso que quisemos descobrir no Festival Democracia Viva, na Holanda", explica a enviada da euronews, Isabel Marques da Silva.

Comediantes, leitura de livros, filmes, concertos, concursos, entre outros eventos de entretenimento foram a isca usada pelo Movimento Europeu Internacional para animar a discussão politica.

Temas tais como clima, sociedade digital, direitos das mulheres, migração, entre outros, estiveram no centro das intervenções de ativistas, influenciadores, políticos, sindicalistas e muitos outros convidados.

"Penso que organizar um evento que une a comunidade é uma das melhores maneiras de as pessoas se envolverem no processo democrático", disse Carrie, de 24 anos, que vive na Bélgica.

"Normalmente, vemos só as notícias em écrans para aprender sobre a Europa, mas aqui pode-se fazer parte da mudança, participar em diferentes workshops, conversar com as pessoas que tomam decisões", afirmou Jimena, de 22 anos, de Espanha.

Quão importante é votar?

Todos podem ter este tipo de debate a qualquer momento, mas torna-se mais prementes quando há eleições que envolvem o futuro de 500 milhões de pessoas.

Assim sendo, quão importante é votar nas eleições europeias que decorrem em 28 países? Jovens e mais velhos têm uma palavra a dizer.

"Algumas pessoas de 18 anos nem sequer sabem quais são partidos com assento no parlamento nacional. Dar aos jovens o direito de votar é a coisa certa a fazer, mas também se lhes deve dar a oportunidade de obter informação para poder decidir. Caso contrário, acabam por votar com base no que fazem as pessoas à volta e isso é fatal para a democracia", disse Leon, de 18 anos, que vive na Áustria.

"Temos algo precioso que são as leis e a democracia, o facto de não termos de nos preocupar que alguém venha prender-nos às quatro horas da manhã. Também não temos de nos preocupar com os nossos filhos na escola e a possibilidade de alguém de repente matar o professor, que é algo que me disse uma criança que veio para a Alemanha como refugiada. Eu vivo na Alemanha", afirmou Felicity 67 anos.

A abstenção nas eleições europeias tem vindo a aumentar desde o primeiro escrutínio, em 1979, apesar do Parlamento Europeu ter cada vez mais poderes legislativos. Nas eleições de 2014, apenas 42 por cento dos europeus foram as urnas.