Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

Lyra McKee: vítima da violência do Novo IRA

Lyra McKee: vítima da violência do Novo IRA
Direitos de autor
REUTERS/CLODAGH KILCOYNE
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

Londonderry, na Irlanda do Norte, foi palco de alguns dos dias mais sangrentos do conflito irlandês. É uma cidade que continua dividida pela geografia sectária: um lado do rio é predominantemente católico republicano e o outro, protestante unionista. Desde a assinatura do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, em 1998, foram construídas pontes figurativas e literais para tentar unir as duas comunidades.

No entanto, como mostra este vídeo, a paz foi novamente quebrada na noite de quinta-feira quando uma bala tirou a vida de uma jovem inocente.

"Lyra Mckee era uma jornalista de 29 anos em ascensão... Ela estava aqui, numa rua de Londonderry a trabalhar, na semana passada, a fazer a cobertura dos protestos relacionados com a Revolta da Páscoa. Tinha-se mudado, recentemente, para a cidade para estar com a parceira Sarah. Na verdade, iriam de férias para Nova Iorque, na semana que vem, onde ela iria pedi-la em casamento. Ao invés disso, a vida dela terminou. Foi baleada e assassinada por um membro do Novo IRA", recorda o jornalista da euronews, Vincent McAviney.

O grupo admitiu a culpa, pelo assassinato e pediu "sinceras desculpas" à família.

A parceira de Lyra, Sarah Canning, também se manifestou: "As nossas esperanças e sonhos, e todo o seu incrível potencial foram apagados por um único ato bárbaro".

Alguns amigos do casal estão a ajudar com os preparativos para as exéquias de Lyra e recordam a jornalista...

“Ela sabia o que era certo e defendeu isso. Ela empenhou-se muito em questões como os sem-abrigo ou os problemas da comunidade LGBT. Ela era, apenas, uma pessoa brilhante e eles, realmente, não poderiam ter atingido alguém melhor. Tiraram-na de nós”, afirma a miga Julie McLaughlin.

Na busca por respostas sobre o motivo pelo qual a violência está a regressar à Irlanda do Norte, há quem sugira que o Brexit e o colapso da Assembleia da Irlanda do Norte, há dois anos, tenham contribuído.

O líder do Partido Social-Democrata e Trabalhista, Colum Eastwood, assegura que “temos um vácuo político na Irlanda do Norte que tem de ser preenchido porque os vazios políticos podem levar a um perigo real nas ruas. É por isso que os nossos políticos, e eu escrevi para todos eles, incluindo o Primeiro-ministro e ao Taoiseach Leo Varadkar, têm de se unir agora. As pessoas estão determinadas a tirar essas pessoas das nossas costas e não vamos permitir que nos arrastem para trás e para a frente."

Mas outros, como o jornalista Eamon McCann, que conhecia Lyra, acreditam que o fracasso dos políticos em prover um futuro económico promissor é a principal razão.

“Olhando para toda a área, vemos murais nas paredes de homens armados, e literalmente os jovens são convidados a olhar para essas imagens, para admirar imagens de atiradores, os heróis gloriosos do passado. Quando se tem 14/15/16 anos de idade e não se tem muita vida e pouca esperança no futuro, essa ideia de ser um membro do Novo IRA, ou qual seja o nome, é quase glamorosa, quase glamorosa devido à forma como é apresentada".

Por agora, parte da população tenta garantir que o nome de Lyra e o que ela representa não sejam esquecidos.