Última hora

Última hora

"Breves de Bruxelas": Esquerda radical deverá crescer no PE

"Breves de Bruxelas": Esquerda radical deverá crescer no PE
Direitos de autor
© European Union 2019 - Source : EP - Fred MARVAUX
Tamanho do texto Aa Aa

O grupo da Esquerda Unitária Europeia tem meia centena de eurodeputados, mas o protesto ruidoso no interior e no exterior do Parlamento Europeu faz parte da sua estratégia política.

Um dos temas preferidos para manifestações é o comércio livre, mas também algo mais generalizado tal como o pedido de reversão das medidas de austeridade.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, líder do Syriza, é o único chefe de governo entre os 28 Estados-membros com origem na esquerda radical. E depois da dose maciça de austeridade suportada pela Grécia, Tsipras deixou um recado no seu discurso no Parlamento Europeu sobre o futuro da União.

"Devemos estudar o caso grego, a Europa deve estudar este caso porque a Grécia foi uma experiência muito prejudicial para os nossos valores comuns europeus", disse Alexis Tsipras.

Outro país com forte representação da esquerda radical no Parlamento Europeu é a Espanha, com dez eurodeputados eleitos pelos partidos Podemos e Izquierda Unida.

A Alemanha contribui para esta família política europeia com oito lugares, seguindo-se a Grécia com seis.

Portugal contribui com quatro, entre CDU (3) e Bloco de Esquerda (1), o mesmo número que a Irlanda. França, Itália e Holanda têm três eurodeputados cada um neste grupo.

Divisões internas

Contudo, nem todos os eurodeputados aceitam o rótulo de comunistas e existem diferentes sensibilidades ou fações. Apenas uma delas escolheu os principais candidatos para presidente da Comissão Europeia: o sindicalista belga Nicolas Cue e a ex-atriz eslovena Violeta Tomič.

"O liberalismo é o culpado de tudo. As políticas neoliberais são responsáveis por tonar as pessoas tão infelizes que agora são manipuladas pelos populistas de extrema-direita", disse, à euronews, Violeta Tomič.

A luta contra a desigualdade social é uma das principais batalhas. Mas também o pacifismo, o feminismo e a rejeição da chamada "Europa fortaleza", que fecha as portas aos migrantes.

Durante a atual legislatura, a bancada da esquerda unitária teve como líder a alemã Gabriele Zimmer que resume de forma breve essa postura: "Políticas de austeridade e cortes orçamentários são a poção mágica dos demónios".

De acordo com as sondagens, Esquerda Unitária Europeia poderá vir a ter melhores resultados do que em 2014, recebendo votos de alguns eleitores desiludidos com as políticas do centro.

Uma maior representação pode fazer do atual quinto grupo uma força importante nas futuras alianças para obter maiorias na aprovação de legislação, mas terá também de saber superar as divisões internas.