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Governo de Hong Kong pede desculpa perante protesto de milhões

Manifestantes exigem cancelamento do projeto-lei e demissão de Carrie Lam
Manifestantes exigem cancelamento do projeto-lei e demissão de Carrie Lam -
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REUTERS/Thomas Peter
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O governo regional de Hong Kong voltou este domingo a ceder perante os volumosos protestos contra o projeto-lei de extradição, mas não quebrou como exigem os manifestantes.

A administradora-geral Carrie Lam pediu "desculpa ao povo e promete aceitar as críticas" devido ao alegado "trabalho inadequado" que provocou uma "larga escala de confronto e conflito na sociedade de Hong Kong, deixando muitos residentes desapontados e tristes."

O executivo não fez contudo referência ao controverso projeto-lei que os manifestantes exigem vir riscado de vez e não apenas suspenso, como decidiu Carrie Lam no sábado.

Vestidas de negro ou com flores brancas, dois milhões de pessoas, de acordo com os organizadores (a polícia fala em 338 mil), responderam ao apelo à manifestação deste domingo em Hong Kong, dias depois do protesto se ter tornado violento quando uma tentativa de evitar o segundo debate da proposta pelos legisladores acabou em confrontos com a polícia e a acusação de um motim contra os manifestantes.

O projeto-lei em causa prevê a extradição de suspeitos de crimes vários para outras regiões, incluindo o continente chinês, Macau e Taiwan.

O governo de Hong Kong, nomeado sem direito a voto popular, defende ser esta uma forma jurídica de evitar que a ilha se torne num refúgio seguro para criminosos no território chinês.

Os ativistas pró-democracia receiam, por outro lado, ser este projeto-lei uma concessão a Pequim e uma ameaça ao estilo de vida e à liberdade de expressão do povo de Hong Kong pelo controverso sistema judicial chinês.

Alguns, em declarações a agências de notícias internacionais, sublinharam os receios de a suspensão do projeto-lei ser apenas uma jogada para ganhar tempo por parte de Carrie Lam.

"Penso que ela está apenas a adiar o projeto-lei agora para nos enganar e nos levar a acalmar os protestos", considerou Catherine Cheung, de 16 anos, numa declaração à Reuters.

"A suspensão do projeto-lei da extradição significa apenas que o mesmo pode ser reativado a qualquer momento por Carrie Lam", acrescentou Lee Cheuk-yan, à France Press.

Na quarta-feira, dezenas de milhares de manifestantes juntaram-se num bloqueio das ruas em torno da sede do governo regional para tentar impedir o segundo debate sobre o projeto-lei da extradição.

Houve confrontos com a polícia. Há registo de pelo menos 22 agentes da autoridade e 60 manifestantes terem ficado feridos.

As autoridades revelaram a detenção de 11 pessoas, acusadas de terem promovido e participado num motim.

Em entrevista à BBC, Emily Lau, uma ativista pró-democracia e antiga líder do Partido Democrático, explicou que os manifestantes "pensam que ela [Carrie Lam] é uma vergonha e que é desprezível."

"Ela nunca irá pedir desculpa pela atrocidade da polícia e insiste em acusar as pessoas detidas por motim, o que prevê penas de 10 anos de prisão. É ridículo", defendeu Emily Lau.

Os manifestantes exigem o cancelamento total do projeto-lei e a demissão da administradora-geral da antiga colónia britânica. Entre os manifestantes, alguns empunhavam também cartazes com a frase "os estudantes não promoveram motins."

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido manifestou pelas redes sociais a favor do respeito pelas liberdades e garantias dos cidadãos de Hong Kong consagrados na Declaração Sino-Britânica celebrada entre os dois países na transferência de soberania ocorrida em 1997.

"O Reino Unido mantém-se fiel a este acordo juridicamente viculativo", sublinhou Jeremy Hunt.

Queda mortal deu força ao protesto

À margem do protesto, mas não alheio à revolta contra o governo regional, alguns manifestantes estão a depositar flores no local onde um homem - identificado como Leung, de 35 anos, pelas autoridades - morreu este sábado, após cair de um edifício.

Alguns relatos indicam que o homem havia acabado de colocar um cartaz onde se lia uma mensagem exigindo o "cancelamento total do projeto-lei de extradição para a China", garantindo que "a manifestação não é um motim" e pedindo a "libertação dos estudantes e dos feridos."

A polícia disse estar a tratar o caso como um suicídio e garante ter encontrado uma nota no local, avança a AFP.

Os manifestantes que lhe prestam tributo estão a descrever Leung como um "herói" e um "mártir".

"Por causa deste projeto-lei, já tivemos o sacrificio de uma pessoa. Vamos dar seguimento à missão que essa pessoa que morreu deixou por acabar", prometeu uma manifestante.

No apelo aos protestos deste domingo, foi pedido às pessoas para usarem vestes negras em sinal de luto e para levarem flores brancas para deixarem à passagem pelo local da morte.

Alguns estudantes pretendem iniciar ao cair da noite uma vigília, à luz de velas, no local agora transformado em memorial por Leung.