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Costa preocupado com influência de populistas sobre PPE

António Costa, primeiro-ministro de Portugal foi um dos negociadores
António Costa, primeiro-ministro de Portugal foi um dos negociadores -
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O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, reconheceu a derrota enquanto um dos líderes socialistas mais diretamente envolvidos (ao nível de conversações bilaterais) na negociação dos altos cargos das instituições comunitárias, durante uma cimeira extraordinária da União Europeia, que terminou cerca das 19h de terça-feira, em Bruxelas.

António Costa diz que essa derrota se traduz no facto de não ter sido possível nomear um socialista para a Comissão Europeia, mas sente-se recompensado pela possibilidade do centro-esquerda vir manter a primeira vice-presidência do executivo (o holandês Frans Timmermans), bem como metade da presidência do Parlamento Europeu (2,5 dos cinco anos) e ainda a chefia da diplomacia europeia, com o nomeado espanhol Josep Borrell.

Minoria de bloqueio

Mas o líder português está, sobretudo, preocupado com a facilidade com líderes do centro-direita no Conselho Europeu (nomeadamente Irlanda e Croácia) "se deixaram seduzir" pelos populistas nos governos em Itália e em países do bloco do leste, sobretudo o Grupo de Visegrado (Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia), criando uma "minoria de bloqueio" às duas primeiras propostas que envolviam Frans Timmermans para presidente da Comissão Europeia.

"O que acho que é verdadeiramente mais preocupante naquilo que aconteceu ao longo destes dias é constatar a fragmentação interna numa das grandes famílias políticas e a sua fragilidade e permeabilidade à pressão de minorias de bloqueio. Isso é mesmo o fator mais preocupante para o futuro da Europa. Espero que esta solução tenha, pelo menos, o mérito de reforçar quem nessa família política, ao longo de mais de uma década, tem assegurado a capacidade de ser um motor positivo na construção do projeto europeu", disse o primeiro-ministro.

Nesse sentido, e apesar de, enquanto negociador dos socialistas europeus, não ter 'convencido' os seus homólogos europeus a indicar Timmermans para a presidência da Comissão, o líder do Governo português disse sair de Bruxelas "confortado" por constatar que "essa minoria", integrada pelos Visegrado e Itália, não consegue bloquear a Europa no seu conjunto.

"Fico também confortado que nenhum desses países saiu recompensado do bloqueio que introduziram e que, portanto, não houve um benefício do infrator", acrescentou, reiterando que "foi muito importante que a Europa não tenha ficado bloqueada nas sua capacidade de decisão" e que o conjunto das instituições possa a funcionar no tempo previsto.

REUTERS/Yiannis Kourtoglou/File Photo

Nesse sentido, e apesar de, enquanto negociador dos socialistas europeus, não ter 'convencido' os seus homólogos europeus a indicar Timmermans para a presidência da Comissão, o líder do Governo português disse sair de Bruxelas "confortado" por constatar que "essa minoria", integrada pelos Visegrado e Itália, não consegue bloquear a Europa no seu conjunto.

"Fico também confortado que nenhum desses países saiu recompensado do bloqueio que introduziram e que, portanto, não houve um benefício do infrator", acrescentou, reiterando que "foi muito importante que a Europa não tenha ficado bloqueada nas sua capacidade de decisão" e que o conjunto das instituições possa a funcionar no tempo previsto.

Consideração por Ursula von der Leyen

Sobre Ursula von der Leyen, que poderá vir a ser a primeira mulher a presidir à Comissão Europeia, António Costa disse que lhe reconhece a experiência governativa e o compromisso com o projeto europeu, além de que "nunca teve uma atitude contra Portugal".

Mas ainda é cedo, disse o primeiro-ministro, para saber se estará disposta a dar uma boa pasta a Portugal, até porque terá, ainda, de passar pela aprovação do Parlamento Europeu.

Além de nomear Ursula von der Leyen (PPE) para a Comissão Europeia, o Conselho Europeu elegeu o belga Charles Michel (Liberal) para presidente (sucederá a Donald Tusk), nomeou o espanhol Josep Borrell para Alto Representante para a Política Externa e nomeou a francesa Christine Lagarde para a presidência do Banco Central Europeu.

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