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Dois detidos e pedidos de reforma eleitoral no dia de Boris Johnson

Protestos em Londres contra o resultado eleitoral
Protestos em Londres contra o resultado eleitoral   -  
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ASSOCIATED PRESS/ Kirsty Wigglesworth
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Boris Johnson não festejou o Brexit no Halloween (31 de outubro, Noite das Bruxas) como pretendia. Festejou agora, numa "Sexta-feira 13", a primeira vez que é eleito a nível nacional para um cargo de governação.

A festa ficou contudo marcada pelos protestos em Londres contra o resultado das Legislativas antecipadas de quinta-feira. Milhares de manifestantes, de Edimburgo a Londres, apelaram à desobediência ao governo Conservador e contra a liderança de Boris Johnson.

De acordo com a polícia metropolitana de Londres, pelo menos duas pessoas acabaram detidas na capital britânica.

O dia fica também marcado pelo novo pedido do Partido Nacional Escocês (SNP) por um segundo referendo pela independência da Escócia agora que é praticamente certa a saída do Reino Unido da União Europeia.

No referendo de 2016, os escoceses manifestaram-se a favor da permanência no bloco europeu e agora jogam com essa autodeterminação para não se reverem no novo caminho trilhado por Londres.

Sistema eleitoral em causa

O escrutínio de quinta-feira à noite relançou também a discussão sobre o sistema eleitoral britânico, reconhecidamente favorável aos grandes partidos porque apenas um deputado é eleito em cada círculo, num sistema designado oficialmente como "o primeiro ganha o posto", numa tradução informal de "first-past-the post".

Cada um dos 650 círculos eleitorais distribuídos por Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte são revistos a cada 12 anos para manterem uma média de 70 mil eleitores -- a última foi já há uma década.

Os eleitores não escolhem diretamente o primeiro-ministro, mas o deputado do respetivo círculo. O partido com a maioria absoluta é chamado pela Rainha a formar Governo e o respetivo líder, que tem de ser eleito como deputado, torna-se primeiro-ministro.

A Sociedade da Reforma Eleitoral (SRE), uma organização independente alegadamente de promoção a uma melhor democracia, analisou o escrutínio e concluiu terem sido precisos quase 865 mil votos para eleger um deputado do partido Verdes, enquanto os Conservadores precisaram apenas de 38 mil votos, os Trabalhistas 50 mil e o SNP apenas 26 mil.

Com mais de 642 mil votos o Partido do Brexit não conseguiu qualquer deputado.

A SRE alega que 45,3% dos votos escrutinados não terão qualquer representação no Parlamento porque não apoiaram o deputado eleito no respetivo círculo.

A deputada eleita pelos Verdes, Caroline Lucas (Brighton Pavilion), aproveitou o discurso de vitória para reclamar o fim do atual sistema eleitoral: "sinto-me revoltada porque o nosso sistema político tem graves falhas e mesmo assim continua a desiludir fortemente tantos indivíduos e o nosso país."

Dias antes das eleições também o líder do Partido do Brexit, Nigel Farage, tinha admitido mudar a denominação do partido para "Partido da Reforma" após a saída da União Europeia e assim iniciar uma nova campanha pela mudança do sistema eleitoral.

O dia de glória de Boris

Esta sexta-feira 13 foi de glória para Boris Johnson. Depois de ter recebido de bandeja a liderança do Governo ao ser eleito líder do Partido Conservador após a demissão de Theresa May, o antigo presidente da câmara de Londres conseguiu agora ser mesmo eleito a nível nacional e com um resultado esmagador.

O Partido conservador passou dos 317 deputados eleitos em 2017 para os 365. Os Trabalhistas, principal força da oposição, perderam força, passando de 262 para 203 representantes.

A maioria absoluta (garantida a partir dos 326 deputados) dá à partida condições a Boris Johnson para governar à vontade e finalmente concretizar o tão prometido Brexit até 31 de janeiro, a data fixada no final de outubro para a concretização da ativação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa.

O primeiro dia do primeiro-ministro reconduzido começou em Downing Street, com um discurso dirigido em especial aos apoiantes, mas onde também prometeu governar para o bem de todos os britânicos.

À noite, Boris Johnson falou com a líder do SNP e reiterou a oposição a um segundo referendo para a independência da Escócia, um dos países integrantes do Reino Unido que votou contra o Brexit.

O trabalho de Boris Johnson no terreno começa já este sábado, com um périplo pelo norte da Inglaterra, onde os Conservadores conquistaram vários círculos aos Trabalhistas.

Quanto à oposição, nos Trabalhistas, é tempo de sarar as feridas após uma histórica derrota e de começar já a procurar um novo líder. Jeremy Corbyn falhou e cede o lugar quando houver sucessor.

De saída de cena está Jo Swinson. A até aqui líder dos Liberais Democratas falhou a reeleição como deputada em Dubartonshire East para o SNP e como tal está obrigada a retirar-se.

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