This content is not available in your region

Cerimónias sobre Auschwitz marcadas por diferendo russo-polaco

Access to the comments Comentários
De  Isabel Marques da Silva
euronews_icons_loading
Cerimónias sobre Auschwitz marcadas por diferendo russo-polaco
Direitos de autor  Euronews

Antes do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, foi assinado um acordo entre dois homens que mais tarde se tornariam inimigos. O soviético Estaline e o alemão Hitler prometeram não se atacar mutuamente.

Para a maioria das pessoas poderá ser apenas um detalhe da História, mas agora está no centro de um grande diferendo político.

"Adolfo Hitler invadiu a Polónia e tudo começou a partir daí. Mas os polacos reclamam amiúde que dizer que a União Soviética livrou aquele país de Adolfo Hitler não é a história completa", explicou Pieter Lagrou, historiador na Universidade Livre de Bruxelas.

"Os polacos dizem que é importante lembrar que a invasão levada a cabo pela Alemanha foi preparada com base no pacto de não-agressão assinado por Estaline e num pacto secreto para a divisão da Polónia entre as duas partes. Portanto, é verdade que primeiro ocorreu a agressão alemã, mas apenas duas semanas depois ocorreu outra invasão, desta vez a partir do leste, e levada a cabo pela União Soviética", acrescentou.

Este diferendo ofusca as cerimónias do 75º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, tendo sido organizados dois eventos.

Um decorreu em Jerusalém e não contou com a presença do presidente polaco, Andrei Duda. Outro evento, marcado para a segunda-feira, na Polónia, não contará com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Foram os soldados soviéticos que libertaram os prisioneiros de Auschwitz e o exército soviético perdeu 600 mil soldados na libertação da Polónia. Infelizmente, Putin não foi convidado para a cerimónia deste ano e isso fica na consciência do presidente Duda. Infelizmente, vemos que Polónia faz, atualmente, inúmeras tentativas para reescrever a história", disse Vladimir Chizhov, embaixador da Rússia para a União Europeia.

O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, defende o seu país: "Longe de ser um "libertador", a União Soviética foi um facilitador da Alemanha nazi e cometeu, também, os seus próprios crimes, antes e depois da libertação de Auschwitz. Dado que a União Europeia nasceu das cinzas da Segunda Guerra Mundial, devemo-nos proteger de narrativas falsas tais como as que hoje nos são vendidas".

UE do lado polaco

O editor de política da euronews, Darren McCaffrey, realça que, politicamente, as instituições da União Europeia apoiam a Polónia neste diferendo.

"O Parlamento Europeu aprovou uma resolução que atribui as culpas pelo início da guerra ao pacto de não-agressão. A Comissão Europeia criticou a Rússia por "quaisquer alegações falsas que tentem distorcer a história da Segunda Guerra"", referiu.

À frente de governos nacionalistas e antagonistas entre si, os líderes da Polónia e Rússia procuram usar a sua própria interpretação do passado para obter ganhos políticos na atualidade. Atitudes que não ajudam a "curar as feridas" e que podem ser aproveitadas para aumentar a tensão entre os os dois povos.