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"Estado da União": Brexit e o desamor transatlântico

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Brexit
Brexit   -   Direitos de autor  Frank Augstein/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved
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O Reino Unido e a União Europeia estão num período de transição que termina a 31 de dezembro, mas que poderia ser prolongado até o final de junho de 2021. Bruxelas sinalizou que aceitaria essa possibilidade, mas o governo britânico está firmemente contra prolongar o processo pós-Brexit, mesmo correndo o risco de não haver consenso sobre a futura relação comercial.

A lição que se tira é que, em política, não há "almoços grátis". Essa foi a expressão que o comissário europeu para Orçamento, Johannes Hahn, usou numa entrevista para a euronews sobre as negociações para um pacote de de recuperação económica pós-Covid-19.

“A maneira como o dinheiro deverá ser distribuído (aos Estados-membros) não será uma espécie de almoço grátis, mas ligada a certas medidas de reforma", disse Hahn.

Esta semana ficou a saber-se que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem intenções de retirar cerca de dez mil militares norte-americanos que estão no território da Alemanha, no âmbito da NATO, como proteção contra a Rússia.

Stefan Grobe analisou o que está por detrás dessa notícia com Karen Donfried, presidente do The German Marshall Fund of the United States (TGMFUS), um importante centro de estudos sobre políticas públicas.

Stefan Grobe /euronews: As relações transatlânticas estão cada vez mais tensas desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo. O mais recente plano do governo dos EUA passa por retirar as tropas estacionadas na Alemanha. Qual poderá ser a lógica estratégica por trás disso?

Karen Donfried/presidente TGMFUS: A sua questão aponta para um ponto fundamental. As pessoas sempre realçaram que a presença de tropas dos EUA na Europa tem sido o núcleo da estratégia de dissuasão da NATO em relação à Rússia. Se os EUA tomarem uma decisão unilateral para reduzir essas tropas, muitos vão dizer que é um favor que se faz à Rússia. É particularmente impressionante porque, face ao que temos assistido desde que a Rússia anexou ilegalmente a Crimeia - que é território soberano da Ucrânia -, os aliados na NATO aumentaram a presença de tropas ao longo do flanco oriental da Aliança. Portanto, há muita preocupação com a mensagem que se envia à Rússia e o que como terá impacto na estratégia de dissuasão da NATO.

Stefan Grobe /euronews: Trump estará zangado com a chanceler alemã, Angela Merkel, por ela se ter oposto a que a cimeira do G7 fosse na Casa Branca?

Karen Donfried/presidente TGMFUS: Há muita especulação sobre isso. Ninguém sabe. A especulação é que em causa poderá ter estado o debate sobre a possível redução da presença de tropas dos EUA na Europa, ou a transferência das que estão na Alemanha para, por exemplo, a Polónia. Era um debate que estava pouco ativo nos últimos meses. As pessoas consideram que há algo intrigante no facto do presidente Trump ter querido que a cimeira do G7 fosse presencial, ao qual se opôs em primeiro lugar a chanceler Merkel, porque que não ficava confortável com essa idea em tempos de Covid-19, e depois ter tomado a decisão sobre as tropas americanas na Alemanha. É por isso que as pessoas especulam, mas ninguém sabe, de fato, o que está a acontecer.

Stefan Grobe /euronews: Falemos da Covid-19. O presidente Trump tem sido muito criticado na Europa por ter anunciado que poderá retirar os EUA da Organização Mundial da Saúde. Porque é que, em Washington, mesmo durante uma pandemia global, não se percebe que a cooperação global pode ser útil?

Karen Donfried/presidente TGMFUS: Não acho surpreendente que o presidente Trump tenha uma visão tão negativa da Organização Mundial da Saúde e que, de fato, decida por essa saída porque é algo alinhado com sua visão do multilateralismo. No que se refere a cooperação internacional, ele prefere fazê-lo bilateralmente.