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O Drama da Covid-19 nos lares de idosos espanhóis

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O Drama da Covid-19 nos lares de idosos espanhóis
Direitos de autor  Jaime Velázquez
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A Covid-19 escreveu muitas histórias dramáticas. Esther Garcia dedicou 20 anos a cuidar de idosos. Durante a pandemia 30 pessoas da instituição onde trabalhava morreram: "Foi uma grande confusão sobre o que podíamos fazer, e como fazer", explica.

Novos dados dão conta que o governo regional de Madrid pediu aos hospitais que restringissem os internamentos de pacientes que viessem de lares de idosos.

Foram os momentos mais difíceis da pandemia e os hospitais estavam perto do colapso.

Se queriam que resolvessemos tudo, estávamos cá para fazê-lo. (...) Mas eram precisos recursos, recursos médicos, que nunca chegaram.
Esther Garcia
Diretora de lar de idosos

"Se queriam que resolvessemos tudo, estávamos cá para fazê-lo", explica Esther. Mas eram precisos recursos, "recursos médicos, recursos que nunca chegaram", acrescenta.

Quando Esther viu o vírus levar vidas de pessoas de quem cuidava decidiu agir:

"Chegou um momento em que eu disse que não podia ser. Há protocolos sanitários mas nós temos esta pessoa em estado crítico e temos de levá-la para o hospital". Mesmo as pessoas mais velhas de que estavam a cuidar tinham esse direito, desabafa.

Mas nada mudou. Apenas um paciente acabou por ser transferido para o hospital.

Um vídeo, que circulou na internet, mostrava essa dura realidade. Num briefing para funcionários de um hospital ficava claro que os residentes de lares de idosos não eram prioridade, muito pelo contrário. Eles não estavam a receber tratamento.

O governo regional insistia que as decisões sobre transferências para hospitais seguiam rigorosos critérios técnicos, mas que ninguém era abandonado.

Teve primazia o critério médico, sempre, e é inaceitável que se ponha em causa as decisões dos profissionais de Saúde.
Isabel Diaz Ayuso
Presidente da Comunidade de Madrid

Pelo menos 10.000 residentes de lares de idosos, em Espanha, foram transferidos para hospitais durante a pandemia. Mas 6.000 morreram nas instituições.

Javier Gómez, da Sociedade Espanhola de Gerontologia, diz que é difícil compreender o que aconteceu. Mas esclarece que há estudos que saíram na Jornal de Medicina de Nova Inglaterra, por exemplo, que dizem que, em algumas situações, transferi-los para os hospitais poderia não significar que sobrevivessem.

Mas as questões permanecem e o desabafo de uma filha que viu partir os pais sem que lhes fosse dada uma oportunidade é exemplo disso.

Não tiveram direito a um lugar no hospital, nem a um respirador, por terem 86 anos...
Almudena Ariza
Os pais morreram vítimas da Covid-19

A guerra está instalada entre lares de idosos, profissionais de saúde e a própria administração pública. Procuram-se responsáveis pelas 6.000 vidas perdidas, de forma dramática. Várias famílias levaram os casos aos tribunais e será a Justiça que decidirá quem punir.