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Festas de San Fermín ficam-se pela igreja e sem sangue derramado

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Esplanadas de Pamplona compostas mas longe da habitual sobrelotação "abençoada"
Esplanadas de Pamplona compostas mas longe da habitual sobrelotação "abençoada"   -   Direitos de autor  Alvaro Barrientos/AP
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São Firmino é mais um santo triste este ano. Tal como os "portugueses" Santo António, em Lisboa, ou São João, no Porto, este ano também as festas de San Fermín, em Pamplona, tiveram de ser canceladas.

Sem os habituais "encerros", as largadas matinais de seis touros bravos pelas ruas da cidade, que acontecem entre o segundo e último dia das festas, é certo também que este ano não haverá sangue derramado.

Pelo menos 16 pessoas perderam a vida nesta tradição desde 1910, a última em 2009, todos os anos há centenas de feridos. Os touros da largada são lidados à tarde até à morte pela espada. Este ano, não, devido à Covid-19.

Nas ruas, esta terça-feira, via-se polícia e algumas centenas de pessoas. A maioria de máscara e, como manda a tradição, vestidos de branco, mas sem as habituais multidões.

Em entrevista telefónica à Euronews, o presidente da câmara de Pamplona lamentou a tristeza das pessoas "e isso também tem a sua importância".

"De um ponto de vista económico, representa muito dinheiro perdido. Cerca de €100 milhões. Mas isto é um exercício de responsabilidade porque esta pandemia, este vírus, está aí e gosta de grandes ajuntamentos e San Fermino é uma festa de multidões e de contacto", disse-nos Enrique Maya.

O autarca foi uma das quase 280 pessoas que puderam assistir às cerimónias religiosas, celebradas, como manda a tradição católica, a 7 de julho na capela de São Fermino, em Pamplona, mas desta vez com uso de máscara obrigatório.

Devido à pandemia, este ano a celebração de São Firmino cinge-se aos rituais religiosos. Pelas 09 horas, realizou-se a missa da escada e, duas horas depois, a missa maior, liderada pelo arcebispo de Pamplona e bispo de Tudela, Francisco Pérez González.

"No coração de todos os pamploneses e de todos os navarros existe uma forte devoção às festas de São Firmino. Uma coisa são as festas do santo, que seguem de pé, e outra coisa são as celebrações que foram adiadas", referiu o líder religioso durante a homilia, lembrando "os momentos difíceis" por que todos estão a passar e que "a todos, dentro da dor, faz refletir".

O vice-presidente do governo regional de Navarra pediu para que a responsabilidade mostrada esta segunda e terça-feira em Pamplona pela "imensa maioria dos cidadãos" se mantenha nos próximos dias.

As festas de San Firmino, oficiais desde 1914, com um interregno de 1991 a 1997, deveriam ter começado a seis de julho e tinham o final previsto para 14 de julho, com a entoação à meia noite da canção "Pobre de Mí".