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Junho foi o mês mais quente e Frankfurt refresca-se

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Junho foi o mês mais quente e Frankfurt refresca-se
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Globalmente, podemos dizer que Junho de 2020 foi o mês mais quente de sempre, com temperaturas 0,5 graus Celsisus acima da média, entre 1981 e 2010.

Wilks, Jeremy/

Olhando para o mapa da anomalia da temperatura da superfície do ar, podemos ver que em partes de África e em muitos locais das Américas estava mais quente do que a média. No sul da Europa, mais fresco e, na Escandinávia e na Europa Central, estava mais quente.

Mas a grande questão tem sido a Sibéria, onde, até agora, o ano está a ser muito mais quente do que a média.

Wilks, Jeremy/

Nesta vasta região, algumas áreas estavam mais frias no mês passado, mas a Sibéria ártica teve uma onda de calor sustentada em Junho, com uma temperatura relatada de 38 graus na cidade ártica de Verkhoyansk.

Martin Stendel, do Instituto Dinamarquês de Meteorologia, explica que vários fatores contribuíram para o fenómeno.

"Já entrámos na Primavera com temperatura mais elevadas que o normal, e há já várias semanas seguidas que temos um sistema de alta pressão de bloqueio na área do norte da Sibéria, e em junho e julho, claro, temos sol à meia-noite, que está a brilhar sob esta alta pressão mais ou menos 24 horas por dia, e tudo isto levou a temperaturas muito quentes".

Frankfurt aposta no verde contra o calor

Em Frankfurt, Alemanha, extensões de terreno verdejante estão a assumir um papel importante no arrefecimento da cidade. São considerados "corredores de ventilação", áreas deliberadamente mantidas afastadas de edifícios altos para permitir que o ar muito mais fresco do campo flua para o centro da cidade.

Numa cidade onde as temperaturas atingiram um novo recorde superior a 40 graus no ano passado, a medida faz parte de um esforço de adaptação às alterações climáticas.

O chefe do departamento de alterações climáticas de Frankfurt, Hans-Georg Dannert, conta que, para que o sistema funcione, primeiro tem de se "olhar para toda a cidade e ligá-la às áreas de ar fresco e frio, com os tais 'corredores de ventilação' . Depois devem existir pequenas ilhas verdes na cidade: parques, árvores, avenidas, e serem criadas medidas muito específicas, como assegurar o livre acesso à água potável em fontes que colocámos na cidade".

As "ilhas verdes" de Frankfurt estão literalmente a crescer.

A cidade obriga agora alguns edifícios novos a terem um telhado ou fachada verde, e subsidia telhados verdes em propriedade privada.

As plantas arrefecem o ambiente, à medida que a evapotranspiração das folhas retira calor do ar.

"Os telhados verdes têm vários efeitos positivos: protegem um edifício, isolam-no e arrefecem-no. Isto também permite poupar custos. O ruído é engolido, a poeira fina é filtrada pelas plantas e os efeitos da chuva intensa são amortecidos pelo facto de a chuva poder ser absorvida pelo substrato. Além disso, cada habitante do edifício ganha um novo habitat, tal como os insectos e as aves", defende Lara-Maria Mohr, gestora do projeto "Frankfurt Refresca-se".

A gestão da água é outra área essencial. No centro da cidade, isso significa superfícies mais porosas para permitir que a evaporação arrefeça as ruas. Fora da cidade, significa criar cursos de água para recolher a água da chuva.

Cada mudança é pequena, mas com a temperatura média a aumentar todas as décadas que passa, o objetivo é manter a cidade confortável e habitável.

Caso nada seja feito, Maurice Wagner, geógrafo do departamento ambiental da cidade, alerta para as prováveis consequências.

"Para grupos de risco, isto pode ter consequências graves, incluindo a morte prematura pelo calor. Mas as pessoas que ainda são jovens e em forma e que podem não pertencer aos grupos de risco, também vão sofrer. De um modo geral, as cidades vão perder completamente a qualidade de vida, se não forem tomadas medidas".