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Pacto Ecológico Europeu: a Europa dos projetos verdes

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Pacto Ecológico Europeu: a Europa dos projetos verdes
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Os sítios onde vivemos, a comida que ingerimos ou mesmo a forma como nos movemos estão prestes a mudar de alguma forma. A Europa pretende tornar-se no primeiro continente neutro do ponto de vista climático até 2050 e o objetivo está já contemplado no "Acordo Verde", o Pacto Ecológico Europeu.

Ellen, o barco 100% elétrico

Na Dinamarca, a pequena ilha de Ærø abriga a embarcação elétrica que pode vir a transformar o tráfego marítimo. "Ellen", como foi batizada, liga duas ilhas dinamarquesas e percorre até 22 milhas náuticas.

No mesmo porto onde carrega os passageiros, Ellen recarrega as baterias. Uma vez abastecido, o navio de 750 toneladas parte para uma das cinco viagens diárias para a ilha vizinha.

O projeto "E-Ferry" foi cofinanciado pela União Europeia em cooperação com os ilhéus locais em busca de alcançar a neutralidade carbónica.

Para a sua coordenadora, Trine Heinemann, o exemplo de Ellen pode vir a ser replicado na União Europeia.

"Somos totalmente elétricos, por isso não há combustível a bordo para nada no navio. Um dos desafios, que também existe para os carros elétrico, é o alcance ou a distância. Quanto mais longas as distâncias que percorremos, mais uso damos à tecnologia e penso que, na Europa, provavelmente cerca de 80 por cento do transporte de ferries pode ser feito em 22 milhas náuticas, pelo que há muitos ferries que podem funcionar com bateria elétrica", afirma.

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"Ellen" chega ao portoEuronews

Outra característica do projeto são as turbinas eólicas que produzem 130% da eletricidade necessária em Ærø. Parte do excedente é injetado no Ellen.

Os ferries são hoje os maiores poluidores da ilha, mas o Ellen vai permitir poupar duas mil toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.

Debaixo do casco, tem ainda quatro motores silenciosos e 56 toneladas de baterias de iões de lítio, com uma capacidade de 4,3 megawatts-hora, mas sem gerador de óleo de reserva.

"Reservamos a toda a hora uma certa quantidade de energia em cada bateria. Assim, se perder uma, ou tiver de a desligar por alguma razão, haverá sempre energia suficiente na outra para navegar de volta ao porto ou fazer todos os procedimentos de emergência que possam estar envolvidos numa emergência no mar", explica Trine Heinemann.

Já na parte de cima, a embarcação disponibiliza todo o conforto de um ferry clássico, sem barulho, nem cheiro, para garantir uma travessia tranquila aos passageiros.

As diferenças dos barcos tradicionais não impediram a tripulação de se familiarizar rapidamente com o novo sistema de navegaçâo.

Para o comandante Thomas Larsen, "é semelhante. A única diferença é [haver] mais dois ecrãs com o sistema de gestão de energia, onde, como num ferry normal, temos o indicador de combustível". Os motores elétricos - afirma - "são mais potentes, porque temos o binário total imediatamente a partir do fundo, o que é bastante agradável. Quase que se pode conduzi-lo como uma lancha rápida".

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As baterias elétricas são produzidas na SuíçaEuronews

Será preciso viajar do Mar Báltico até aos lagos suíços para encontrarmos a empresa de armazenamento de energia que foi selecionada para alimentar o barco.

Em Yverdon-les-Bains, um fabricante de baterias desenvolveu várias inovações para satisfazer os requisitos do projeto, em termos de segurança e eficiência.

A empresa já tem 25 encomendas de navios elétricos, alguns até maiores que o Ellen.

Anil Srivastava, diretor da empresa, assegura que "o projeto E-ferry vai fornecer dados de operação cruciais, dados de segurança e vai ajudar a estabelecer padrões, não apenas para a Europa mas para o mundo".

Vidros inteligentes e casas do futuro

Em Sófia, a capital da Bulgária, investigadores e arquitetos uniram esforços para criar janelas inteligentes.

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Casa com janelas inteligentesEuronews

Dentro das janelas há um fluxo contínuo de uma mistura de água destilada e glicol, que serve como anticongelante.

Utilizando células solares, as janelas absorvem a radiação do sol e transformam-na em energia térmica para aquecer o interior do edifício.

"A vantagem de utilizar líquidos em vez de ar dentro do vidro é que a água é mais densa, pelo que absorve a luz infravermelha numa gama mais vasta", explica Miglena Nikolaeva-Dimitrova, física na Academia de Ciências da Bulgária.

Os cientistas deste projeto europeu de investigação estão a utilizar um pavilhão experimental para testar a eficiência do sistema.

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Monitorização da temperatura e da humidadeEuronews

No interior do edifício, a temperatura e a humidade são monitorizadas regularmente para avaliar se a energia pode ser produzida e utilizada a longo prazo, ou em condições climáticas muito diferentes.

O processo, revela Krasimir Zhivachki, técnico assistente na mesma instituição, passa por medir a temperatura dentro das janelas. "Medimo-la a cada vinte centímetros, começando pelo chão e depois subindo ao longo da janela. Desta forma, sabemos como o calor é distribuído no interior de cada uma. E assim, no final, sabemos o que introduzimos na janela e o que sai dela".

A tecnologia foi desenvolvida em Madrid.

Os cientistas querem que o sistema de vidros inteligentes à base de fluxo de água garanta o isolamento, mas também eficiência energética.

Para isso terá de ser capaz de maximizar o calor solar durante o Inverno e evitar o sobreaquecimento no verão.

Juan Antonio Hernández Ramos, professor de Análise numérica e ciência computacional da Universidade Politécnica de Madrid, conta que "se a temperatura exterior for demasiado fria, podemos parar o fluxo de água. O sol aquece a câmara de água entre os vidros e as janelas tornam-se mais quente. Se a temperatura exterior estiver quente, ou se dentro do edifício a temperatura já for confortável, podemos ligar o fluxo de água para distribuir a energia para outros locais do edifício. O vidro transparente atua de forma ativa; atua como uma pele que permite que todo o edifício se regule termicamente".

Os investigadores acreditam que a tecnologia possa ajudar a conceber os chamados "Edifícios de Energia Quase Zero" do futuro e que, neste momento, está pronta para ganhar uma escala industrial.

De acordo com a arquiteta Belén Moreno Santamaría, "a ideia é reduzir as necessidades energéticas ao máximo e, ao mesmo tempo, produzir energia térmica, para, neste caso, maximizar o saldo líquido de energia que um edifício requer".