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"Isabel dos Santos nunca fez transferências associadas ‘à sua família’"

Filha do antigo presidente angolano emitiu um comunicado
Filha do antigo presidente angolano emitiu um comunicado   -   Direitos de autor  AP Photo/Paulo Duarte/ Arquivo
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A empresária angolana Isabel dos Santos negou hoje ter feito transferências associadas à sua família, após uma investigação ter revelado que ela e o marido foram alvo de relatórios sobre atividades suspeitas, e que classificou de "difamatória".

“A engenheira Isabel dos Santos nunca fez transferências associadas ‘à sua família’, sendo esta alegação falsa e difamatória. A engenheira Isabel dos Santos é uma empresária independente, não existindo nenhuma associação entre os seus negócios e a sua família. A empresária só representa os seus interesses próprios e de mais ninguém”, refere um comunicado hoje enviado à Lusa, reagindo à investigação divulgada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), da qual o Expresso, do grupo Impresa, é parceiro.

De acordo com a investigação, a filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos "foi alvo de dois relatórios sobre atividades suspeitas em 2013 nos Estados Unidos, um do JP Morgan e outro do Standard Chartered" devido a "transferências ligadas à Unitel e ao negócio dos diamantes em que Sindika Dokolo [marido de Isabel dos Santos] foi sócio do Estado angolano".

Segundo o Expresso, o relatório tem dezenas de páginas e foi concluído em 16 de outubro de 2013: "É um dos dois documentos incluídos nos FinCEN Files que estão relacionados com Isabel dos Santos. Uma funcionária do departamento de 'compliance' do JP Morgan Chase Bank, nos Estados Unidos, enviou-o no dia seguinte para a FinCEN, a agência federal responsável por processar e reencaminhar suspeitas sobre potenciais esquemas de lavagem de dinheiro para eventual investigação pelas autoridades policiais".

Na nota enviada hoje à Lusa lê-se que “Isabel dos Santos ou as suas empresas nunca foram clientes de nenhum banco norte-americano”, apontando que “é completamente falso e difamatório que um banco norte-americano” tenha ajudado a empresária “em transferências associadas à sua família ou ao Estado angolano”.

O documento acrescenta que o JP Morgan realiza, “na qualidade de banco correspondente do banco BFA/BPI”, pedidos de “'compliance' regulares, solicitando informações sobre várias transações e de vários clientes do banco”, considerando que esta é uma prática “absolutamente normal”.

Apesar de nem Isabel dos Santos ou o seu pai serem clientes, "o relatório enviado à FinCEN mostra como o JP Morgan tinha estado envolvido indiretamente, como banco correspondente, em transferências relacionadas com a família e com o Estado angolano" e "houve uma transferência, em particular, que chamou a atenção do 'compliance' da instituição: Sindika Dokolo, o marido de Isabel dos Santos, tinha enviado em 02 de março de 2012 quatro milhões de dólares para uma conta de uma empresa holandesa, a Melbourne Investments BV, que passaram por uma conta correspondente do JP Morgan".

A empresária desvalorizou a investigação, considerando que se trata de um “esquema de lançar notícias e suspeitas para destruir a engenheira Isabel dos Santos e as suas empresas”.

“As transações financeiras relatadas nos artigos jornalísticos são de 2013, ou seja, ocorreram há mais de sete anos. Esta informação é regurgitada e requentada e faz parte da campanha difamatória que continua a ser alimentada por aqueles que viram os seus rendimentos ilegítimos cortados na Sonangol quando a engenheira Isabel dos Santos ocupou o cargo de PCA [presidente do conselho administrativo] de junho de 2016 a novembro de 2017”, reforça a nota.

Isabel dos Santos sublinhou que ela ou o seu marido “não fazem parte de qualquer esquema ilegal e/ou ilegítimo de circulação de fundos no sistema bancário internacional ou norte-americano” e refutou as “falsidades e notícias regurgitadas e sem fundamento”.

“É clara a intenção de provocar danos reputacionais, pelo que se refuta estas falsidades e estas notícias regurgitadas e sem fundamento”, concluiu a empresária angolana.

O relatório inclui uma lista de 26 entidades e pessoas - onde constam Isabel dos Santos, Sindika e José Eduardo dos Santos - que pudessem ser partes relacionadas, englobando a Galp em Portugal, onde a empresária tinha uma participação acionista indireta.

"Ao todo, o banco identificou um total de 829 milhões de dólares em transferências ocorridas entre 2005 e 2013 relacionadas com o universo dessas entidades, mas pôs de lado a esmagadora maioria delas e concentrou-se em rever apenas algumas dezenas de milhões", refere o Expresso.

Foram identificados movimentos efetuados entre 03 de julho de 2006 e 02 de março de 2012 de contas controladas por Sinkika Dokolo que passaram por contas correspondentes de bancos estrangeiros no JP Morgan.

A investigação envolve mais de 2.000 documentos bancários confidenciais ('FinCEN Files') obtidos pelo BuzzFeed News e partilhados com o ICIJ, e que revelam como alguns dos maiores bancos mundiais, entre os quais o HSBC, foram usados em processos de fraude.