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Nova Caledónia vota corte indireto com a União Europeia

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Nova Caledónia vota corte indireto com a União Europeia
Direitos de autor  AFP
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A Nova Caledónia vai voltar este fim de semana a votar a separação de França e a independência deste território paradisíaco enquanto país soberano.

É a segunda vez que a questão é decidida em referendo no espaço de dois anos, se desta vez for aprovada significará também o fim no território do estatuto de cidadãos da União Europeia, onde a Nova Caledónia se mantém associada como "território ultraperiférico".

Parte dos 270 mil habitantes deste pequeno arquipélago do Pacífico Sul tentam há décadas a afirmação enquanto nação num processo manchado pela violência.

Para Jolly Patrick, "de um ponto de vista moral, depois de todo o sangue derramado e toda a história escrita, a independência é o objetivo final."

"Houve mortos, houve conflitos. A independência é a resposta a todo esse sangue", defende Patrick, um estudante de gestão.

A imprensa local sublinha ter chegado a hora de ser feita uma escolha neste território situado a 16 mil quilómetros de França, o país que o anexou em 1853 na era do imperador Napoleão III e que o tem mantido como "coletividade sui generis" com representação parlamentar em Paris de dois deputados e dois senadores.

Empresário na nova Caledónia, Carl Leclerc defende que se se olhar "ao nível de vida no arquipélago e a todas as vantagens que existem, querer mudar é uma enorme ilusão."

"Não existem garantias de futuro por parte dos independentistas. Apenas dizem 'Logo se vê, logo se vê'. Tiveram 30 anos para discutir o projeto, mas, até agora, nada", critica este empresário.

O referendo pela independência é o novo passo de um processo de afirmação soberana do arquipélago iniciado há cerca de três décadas.

Em 1987, houve uma primeira tentativa de votar a independência do arquipélago, boicotado pela comunidade nativa, os canaques, e que terminou com uma esmagadora votação a favor da ligação a França.

Depois de um primeiro acordo entre as partes independentistas e não independentistas, assinado em Paris em 1988, uma década depois foi ratificado um novo tratado, denominado "acordo de Nouméa", transferindo certas competências administrativas de Paris para a Nova Caledónia, à exceção da defesa, segurança, justiça e moeda.

O "acordo de Nouméa" previa ainda a realização de três referendos pela independência do arquipélago, em caso de rejeição da soberania nos anteriores.

O primeiro decorreu em 2018, com mais de 56% a votar por manter a ligação a França. Este domingo, acontece o segundo e volta a estar tudo em aberto.