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"Estado da União": Biden, o novo grande "amigo" dos europeus?

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"Estado da União": Biden, o novo grande "amigo" dos europeus?
Direitos de autor  Keith Birmingham/ 2020, Pasadena Star-News/SCNG
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Depois de uma contenciosa eleição nos EUA, não é segredo que a maioria dos governos da União Europeia estão muito satisfeitos e aliviados com a vitória do democrata Joe Biden. Mas o que é que a Europa espera de um governo Biden após quatro anos turbulentos com Donald Trump?

Pela primeira vez, grandes partidos políticos, tanto da direita como da esquerda, estão de acordo sobre existir um potencial de mudanças positivas em muitas áreas políticas, tanto em termos do estilo de negociação como no conteúdo.

O líder da bancada de centro-direita no Parlamento Europeu, Manfred Weber, disse à euronews que prevê já uma importante mudança: "O impacto imediato será que as negociações com o governo de Londres sobre o Brexit poderão ter um volte-face vantajoso para os europeus. O primeiro-ministro Boris Johnson não poderá dizer aos cidadãos britânicos que vai obter, em breve, um grande acordo comercial com os norte-americanos. Ninguém vai acreditar nisso".

O programa analisa o tema em maior profundida com uma entrevista a George Papandreou, presidente da Internacional Socialista (IS) e ex-primeiro-ministro da Grécia.

Efi Koutsokosta/euronews: Embora a maioria dos governos nas capitais europeias tenham ficado muito satisfeitos com a vitória de Biden, sabemos que em alguns países europeus, em particular na Europa central e de leste, Donald Trump tinha o claro apoio de alguns governos. A derrota de Trump é a derrota do trumpismo aqui na Europa, isto é, para os governos mais iliberais na Europa?

George Papandreou/presidente IS: É certamente um golpe para um certo tipo de liderança iliberal porque Donald Trump era o instigador de um certo tipo de liderança de cariz autoritário, antidemocrático, anticientífico, imoral e altamente divisivo e polarizador. Nasci nos EUA e passei muitos anos da minha vida nesse país, pelo que fiquei muito chocado com o fato de importantes membros do partido republicano estarem a prejudicar a imagem e a credibilidade dos Estados Unidos na cena internacional, mostrando desconfiança sobre as suas próprias instituições democráticas apenas para se agarrarem ao poder. Por outro lado, existe um movimento novo e problemas reais a enfrentar. Os problemas que enfrentamos, seja ao nível das alterações climáticas ou da pandemia, demonstraram as enormes desigualdades existentes no acesso à saúde, à educação. A tecnologia foi prejudicial para o emprego de muitas pessoas, mas também tem potencial para ser melhor aproveitada. Há ainda questões como a violência de género, entre outros temas importantes que geram incertezas e receios nas sociedades, sendo aproveitados por líderes autoritários e demagógicos. Temos que lutar e mostrar que as políticas progressistas e democráticas são a melhor maneira de resolver essas questões.

Efi Koutsokosta/euronews: O que é que a Europa pode esperar de uma administração Biden? A velha aliança transatlântica simplesmente voltará a ser o que era antes de Trump?

George Papandreou/presidente IS: Trump danificou a Aliança Atlântica e as relações entre a União Europeia e os EUA. Biden vai querer repará-las. Vai começar uma nova era. A Europa aprendeu que deve ser muito mais autónoma nas suas políticas na cena internacional. Deve assumir protagonismo. Desperdiçamos oportunidades mas temos uma nova oportunidade de reconstruir e repensar o sistema multilateral para que seja mais eficaz. A Europa deve ter iniciativa própria e não apenas esperar pelos EUA.

Efi Koutsokosta/euronews: Tendo em conta a sua experiência enquanto ex-primeiro-ministro da Grécia e ministro dos Negocios Estrangeiros, espera mudanças concretas do governo de Biden em relação ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan? Pergunto porque sabemos que Erdoğan vai perder um bom amigo na Casa Branca.

George Papandreou/presidente IS: Conheço Joe Biden muito bem e ele conhece muito bem esta região e assumiu posições claras sobre varias questões, como por exemplo, o problema de Chipre. Obviamente, ele e a administração dos EUA vão querer ter as melhores relações possíveis com todos os países da região, incluindo com a Turquia, mas penso que Biden vai trabalhar num compromisso para a normalização das relações internacionais. Isso é, para haver maior respeito pelo Direito Internacional, uma boa vizinhança, construir soluções com recurso a métodos pacíficos e não com recurso a violência, ao conflito. Penso que isso será muito importante e uma mensagem clara para a Turquia e para o Presidente Erdoğan, que estará bem ciente desse facto. Portanto, seria um passo importante a tomar por Biden, quando assumir o cargo, dar um novo ímpeto a um processo de pacificação de toda a região, o que seria benéfico para todos nós.