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"Estado da União": Depois do Brexit, o Polexit?

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De  Isabel Marques da Silva  & Stefan Grobe
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"Estado da União": Depois do Brexit, o Polexit?
Direitos de autor  Czarek Sokolowski/AP
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O Reino Unido anunciou, esta semana, que seria o primeiro país ocidental a autorizar uma vacina contra a Covid-19, nomeadamente a desenvolvida pela multinacional farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a pequena empresa alemã BioNTech.

Os preparativos estão em curso para começar a distribuir milhões de doses, em primeiro lugar aos profissionais de saúde e idosos, que são grupos prioritários, a partir de segunda-feira.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que enfrenta forte oposição dentro do partido por causa das medidas de confinamento, pediu às pessoas pra não ficarem demasiado otimistas.

“Penso que é muito importante nesta fase que todos reconheçamos que esta é, inquestionavelmente, uma boa notícia. É uma notícia muito, muito boa, mas de forma alguma chegámos ao fim da crise, da luta nacional contra a Covid-19", disse Johnson no parlamento.

Atualmente, parece que a União Europeia também obterá as vacinas antes de outras medidas de emergência. O orçamento para os próximos sete anos está pronto, mas a Polónia e Hungria estão a bloquear a aprovação final por causa do novo mecanismo que obriga ao respeito pelo Estado de direito para receber fundos europeus.

“Se alguém tiver dúvidas jurídicas, há um caminho muito claro: podem ir ao Tribunal de Justiça da União Europeia. É aqui que costumamos debater as nossas diferenças de opinião sobre questões jurídicas e não à custa de milhões de europeus que estão, desesperadamente, à espera da nossa ajuda porque estamos no meio de uma crise muito profunda", Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Polexit entrou no discurso na Polónia

Do outro lado também se sente frustração. Na Polónia, tem aumentado a expressão do sentimento anti-União Europeia e, de repente, uma palavra com um significado inequívoco entrou no debate sobre o futuro do país: Polexit.

Para debater o tema em maior profundidade, Stefan Grobe entrevistou Tomasz Bielecki, correspondente em Bruxelas do Gazeta Wyborcza, um dos principais jornais da Polónia.

Stefan Grobe/euronews: Os líderes da oposição advertiram que a retórica do governo polaco poderá levar à saída da Polónia da União Europeia, que foi descrita pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros como “ficção política”. Quão sério é este discurso sobre um Polexit?

Tomasz Bielecki/jornalista do Gazeta Wyborcza: Penso que é um pouco exagerado. Não há dúvidas de que o tom do debate polaco sobre a União Europeia, incluindo na imprensa estatal pró-governamental, é cada vez mais parecido com o que se fazia nos debates britânicos alguns anos antes do Brexit, até mesmo nas décadas anteriores ao Brexit. Não tenho dúvidas de que, a médio e longo prazo, a situação atual e o tom do debate poderá ser arriscado, mas não vejo que possa haver uma saída nos próximos cinco ou sete anos. Existe o risco de Polexit, mas num futuro distante, não é um risco iminente.

Stefan Grobe/euronews: Suponha que a Polónia sai mesmo da Unao Europeia. Como é que o país se posicionaria no mundo que já não terá o presidente Trump nos EUA?

Tomasz Bielecki/jornalista do Gazeta Wyborcza: O futuro seria muito sombrio para a Polónia fora da União Europria. Claro que a aliança polaco-norte-americana é muito forte, mas é muito assimétrica. Obviamente, a América é muito mais importante para a Polónia do que vice-versa. Portanto, ter os EUA como um aliado próximo, mesmo que com algumas divergências, é vital para a Polónia. Seria suicídio deixar a estrutura ocidental.

Stefan Grobe/euronews: O governo polaco não parece gostar da União Europeia, das suas instituições, de seus funcionários e de seus valores liberais. Porque é que quer manter-se na União?

Tomasz Bielecki/jornalista do Gazeta Wyborcza: Há uma explicação mui to simples. O governo usa a retórica eurocética porque há círculos muito eurocéticos e anti-União Europeia no governo. Mas mais de 80% dos polacos dizem nas sondagens de opinião - não só nos últimos anos, mas desde a adesão dos país -, que apoiam a pertença à União Europeia. Isso tem a ver com a geografia, com a aspiração cultural de fazer parte do Ocidente e também por causa dos fundos europeus, isto é, dos programas muito generosos financiados com dinheiro da União e que é muito importante para as áreas rurais, para a indústria e para os governos locais.