À pesca de novas oportunidades. Pescadores britânicos aguardam pelo Brexit

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De  Luke Hanrahan & Euronews
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A saída da União Europeia vai permitir ao Reino Unido recuperar o controlo das águas britânicas e estar livre do sistema comunitário de quotas. No entanto, com a perda de uma parte significativa do mercado, o setor vive o Brexit com alguma contenção.

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Entre as comunidades costeiras do Reino Unido, a saída da União Europeia é vista por muitos com bons olhos. No entanto, a chegada do Brexit é vivida com contenção. A nova era em que o Reino Unido navega é, para já, um mar de incerteza.

Peixe deitado ao mar

Em Devon, no sudoeste de Inglaterra, a pescaria pode ter sido boa. Mas mais de metade do robalo apanhado durante a manhã não vai chegar ao prato de ninguém. Sem poderem levar para terra o fruto de um dia de trabalho, os pescadores acabam por devolver às águas o que pescaram.

"Se tiver 20, 30, 40 caixas de robalo perfeitamente vendíveis, tenho de as atirar fora. Isso é o que me parte o coração" lamenta o pescador Simon Driver.

Setor das pescas em declínio

O capitão Dave Driver e o filho, Simon, vêm de uma longa linhagem de pescadores.

Para as comunidades costeiras a indústria pesqueira é um pilar. Mas Dave, agora com 60 anos, tem visto a o setor a regredir. Em 1978, empregava o dobro das pessoas do que o emprega hoje. E a culpa do declínio, afirma, é da adesão à União Europeia.

"Eles detêm a maior parte das nossas águas. 75%?! A minha quota de bacalhau este mês é de 30 quilos, isso é uma caixa. A quota francesa é provavelmente de uma tonelada por mês. Temos de devolver o peixe à água. Preferimos trazer esse peixe e dá-lo para caridade. Mas não estamos autorizados a trazê-lo", revela o pescador.

Pescadores favoráveis à saída da União Europeia

De acordo com dados do governo britânico, as frotas sediadas na União Europeia capturam até oito vezes mais peixe nas águas do Reino Unido do que o que os pescadores britânicos pescam em águas comunitárias.

Ninguém previu o quão difícil seria chegar a um acordo com o resto da Europa
Drew Mcleod
Capitão de um barco de pesca

Apesar de 70% de tudo o que é pescado e vendido no mercado britânico de peixe ser comprado por europeus, as diferenças levaram muitas das comunidades costeiras a serem favoráveis ao Brexit. 

Seria expectável haver pessoas preocupadas, mas muitas dizem não se sentir intimidadas pela situação.

Para James Walsh, também ele pescador, o momento é acima de tudo uma oportunidade.

"Estamos entusiasmados com isso, com a liberdade de vaguear pelas nossas próprias águas. E de não sermos ameaçados pelos monarcas da União Europeia e pelos burocratas. Estamos a tentar recuperar o que é nosso", afirma.

O acordo alcançado determina uma redução de 25% no valor do peixe capturado pela União Europeia em águas britânicas. 

O corte vai ser feito por fases ao longo de um período de transição de cinco anos e meio. 

Assim que for concluído, o Reino Unido passa a ter o controlo total do acesso às suas águas; vai poder ainda aplicar cortes mais profundos, se decidir excluir os barcos de pesca comunitários. Atualmente ninguém sabe o que o futuro lhes reserva.

Drew Mcleod encontra-se entre os mais cautelosos. Para o capitão, o Brexit vai trazer "uma grande perturbação, ninguém previu o quão difícil seria chegar a um acordo com o resto da Europa".

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