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Pandemia exacerbou as difíceis condições de vida em Gaza

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Gaza
Gaza   -   Direitos de autor  Khalil Hamra/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
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Duplamente confinados é assim que os residentes da Faixa de Gaza vivem desde que a pandemia começou.

Desde que foi imposto o bloqueio em 2007, estar nos cafés ou ir até à praia era a única distração de uma população onde os mais novos nunca sairam do território e um quinto dos residentes sofre de problemas psicológicos.

Mohammad Al Mamlouk tem 30 anos e anseia por experimentar algo diferente da sua realidade: "Há seres humanos lá fora ou isto não é verdade? Mesmo os meus filhos, quando crescerem e se a situação continuar como agora, vão sentir-se como eu, ansiosos. Todos aqui desejam viajar e ver outros seres humanos".

segundo o Doutor Mohammad Yagi, "Quando uma pessoa não tem liberdade de escolha e perde os direitos humanos básicos, é afetada psicologicamente, e este efeito pode aparecer sob a forma de uma doença física e pode sentir dor sem razão, e o dano pode levar a uma mudança de comportamento que as torne violentas com outras pessoas, e estamos agora a notar o elevado aumento dos problemas sociais em resultado da situação psicológica instável da maioria da população".

O coronavírus apenas veio exacerbar as dificuldades dos gazeus. Quando a pandemia aqui chegou, a vida já era marcada pela escassez de água e de medicamentos, e por uma grave crise energética, com os residentes a terem direito a apenas até seis horas de electricidade por dia.

Ammar Abu Al Jedian é um dos muitos residentes sem trabalho no enclave e receia que esta situação de clausura traga ainda muita violência.

"Há quinze anos que as pessoas sofrem com o bloqueio. Este bloqueio irá criar ideias distorcidas em relação ao mundo, e eu acredito que isto irá criar ódio e violência contra o mundo", afirma.

O Dr. Yagi considera também que estes catorze anos de bloqueio tiveram um grande impacto negativo, especialmente ente os jovens, porque o impacto psicológico sobre eles é maior porque não conhecem experiências diferentes da sua realidade, para além de viverem em más condições económicas e de a maioria deles serem desempregados. A porbreza e os problemas económicos têm um forte impacto sobre as pessoas, pelo sentimento de importência".

Aqui tudo é mais difícil. A ONU apelou a Israel para garantir um acesso rápido e equitativo às vacinas contra a COVID-19 para o povo palestiniano sob ocupação.

O Ministério da Saúde palestiniano espera que os primeiros lotes da vacina da AstraZeneca cheguem à Cisjordânia e à Faixa de Gaza só no início de Março, mais de dois meses depois de Israel ter iniciado a campanha de vacinação.

Até agora, mais de 148.100 palestinianos testaram positivo para o coronavírus e mais de 1.610 mortes relacionadas com a COVID-19 foram relatadas na Cisjordânia e em Gaza desde o início da pandemia.