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Rasmussen: "Não devemos esperar um retorno aos tempos de Obama"

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De  Isabel Marques da Silva  & Efi Koustokosta
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Rasmussen: "Não devemos esperar um retorno aos tempos de Obama"
Direitos de autor  Geert Vanden Wijngaert/AP
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A concertação militar na NATO foi complexa durante a presidência de Donald Trump nos EUA, que reorganizou as tropas estacionadas na Europa.

Houve decisões controversas tais como desviar parte das forças na Alemanha para a Itália e a Bélgica e a eventual transferência de uma base militar na Turquia para a Grécia.

Os líderes da União Europeia esperam um diálogo mais produtivo com o governo de Joe Biden, mas a cooperação enfrenta desafios, segundo o ex-secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista à euronews.

Devemos cumprir o compromisso de investir no setor da defesa pelo menos 2% da riqueza produzia. Biden continuará a pressionar nesse sentido.
Anders Fogh Rasmussen
Ex-secretário-geral da NATO

Efi Koutsokosta/euronews: Pensa que a administração de Joe Biden poderá restaurar o papel dos EUA na proteção das democracias ocidentais e da ordem mundial, tal como eram antes de Trump?

Anders Fogh Rasmussen/ex-secretário-geral da NATO: Sim, a resposta curta é claramente sim, mas não devemos esperar que seja um retorno aos tempos de Obama, de Bush e de Clinton, pois muitas coisas mudaram bastante. Os europeus não devem colocar-se "à sombra da bananeira", digamos, só porque Biden assume a presidência. Por exemplo, na Europa, devemos cumprir o compromisso de investir no setor da defesa pelo menos 2% da riqueza produzia. Biden continuará a pressionar nesse sentido.

Efi Koutsokosta/euronews: Quais são os maiores desafios que a Europa enfrenta neste momento? É a China? É a Rússia? Ou a falta de unidade interna?

Penso que devemos aumentar a pressão sobre a Rússia para que deixe de desestabilizar o leste da Ucrânia.
Anders Fogh Rasmussen
Ex-secretário-geral das NATO

Anders Fogh Rasmussen/ex-secretário-geral da NATO: Em primeiro lugar está a China, que é uma potência em ascensão. A China está a demonstrar as suas capacidades não apenas junto dos vizinhos próximos no Mar do Sul da China, mas também castigou os australianos. De cada vez que criticamos a China, há diplomatas chineses que de imediato fazem críticas aos governos europeus, há tentativas de chantagem seletiva de determinados países europeus. Portanto, penso que um dos grandes desafios da Europa é manter-se unida, mas obviamente que a Rússia também é um desafio. Penso que devemos aumentar a pressão sobre a Rússia para que deixe de desestabilizar o leste da Ucrânia. Pessoalmente, também gostaria de ver a suspensão da obra do gasoduto North Stream 2 no Mar Báltico. Penso que a Europa será confrontada com pressões semelhantes vindas dos Estados Unidos.

Efi Koutsokosta/euronews: Os países da União Europeia conseguem falar a uma só voz quando se trata da China?

Anders Fogh Rasmussen/ex-secretário-geral da NATO: É cada vez mais difícil para a União Europeia ter unidade quando se trata de criticar o governo chinês. O recente acordo da União Europeia com a China para investimentos só vai ampliar esse problema. Penso que o que a China ganhou com esse acordo foi muito mais do que o aspeto económico. Conseguiu criar afastamento da União Europeia face aos EUA e garantiram que ainda será mais difícil para a União Europeia criticar a falta de respeito pelos direitos humanos na China.