Última hora
This content is not available in your region

Comércio de vacinas não é como ir "comprar ao talho", diz comissária

euronews_icons_loading
Comércio de vacinas não é como ir "comprar ao talho", diz comissária
Direitos de autor  Olivier Hoslet/Pool Photo via AP
Tamanho do texto Aa Aa

A vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 só deverá ser aprovada para a União Europeia na sexta-feira, mas o executivo comunitário não quer atrasos na entrega.

A farmacêutica britânica alega que tem problemas na cadeia de produção e quer entregar a quem assinou contratos mais cedo, algo inaceitável para a Comissão Europeia.

“Não conseguir garantir a capacidade de produção é contra a letra e o espírito do nosso acordo. Rejeitamos a lógica de que é servido quem chega primeiro. Isso poderá funcionar no talho do bairro, mas não em contratos nem no nosso acordo de reserva antecipada de aquisição”, disse Stella Kyriakides, comissária europeia da Saúde, em conferência de imprensa, quarta-feira, em Bruxelas.

O diretor-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot, afirmou, terça-feira, que o acordo dita que a empresa se compromete a fazer "o maior esforço possível" , mas que não está obrigada a fazer entregas em datas específicas.

A Comissão Europeia contesta esse interpretação e também não aceita o argumento de que tem de esperar porque o problema é na fábrica existente na Bélgica, exigindo que sejam enviados lotes que estão a ser produzidos nas unidades em território do Reino Unido.

Publique-se o contrato

O Parlamento Europeu acompanha esta escalada com preocupação e pede a divulgação dos documentos, segundo Bernd Lange, eurodeputado alemão do centro-esquerdo.

"A solução mais fácil seria publicar o contrato, não é uma prática totalmente incomum. Veja o que fez Israel. O contrato da Pfizer-BioNTech com Israel está publicado na Internet e pode ver-se quais são as condições. Penso que deveria ser feito o mesmo neste caso", argumentou, em entrevista à euronews.

A Comissão Europeia diz que já pediu autorização à empresa para divulgar o contrato porque não tem nada a esconder, mas ainda não obteve resposta. A farmacêutica pretende entregar cerca de 30% do inicialmente prometido até março.