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"Antiguidades de sangue" roubadas geram milhões em mercados de arte europeus

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"Antiguidades de sangue" roubadas geram milhões em mercados de arte europeus
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Vêm do Egito, da Síria, da Líbia ou do Iraque; todas estas peças provêm diretamente de zonas de conflito e por essa razão são chamadas "antiguidades de sangue".

Com a crise da covid-19, é cada vez mais frequente ver antiguidades a circular pelas redes sociais.

Para Vincent Michel, arqueólogo da Universidade de Poitiers e diretor da missão francesa na Líbia, não há margem para dúvidas de que os montantes a que estas peças são vendidas "podem financiar o terrorismo", mas que, independentemente de haver sangue derramado nos respetivos locais de origem, elas estarão sempre a ser "retiradas de forma ilegal destes países".

As peças roubadas seguem para o circuito comercial e chegam mesmo a entrar nos principais mercados de arte europeus.

Cécile Colonna e Morgan Belzic são investigadores arqueológicos e dedicam-se há vários anos a seguir o rasto de antiguidades traficadas. Registam todas as obras roubadas que acabam nas mãos dos negociantes de arte.

Entre as peças que constam do registo, o investigador aponta para a imagem de um busto e revela que o "retrato foi vendido em 2015 por Bonhams com uma menção muito interessante. Dizem-nos que provém da coleção de um Sr. S., em Zurique, na Suíça, nos anos 90. Mas temos fotografias tiradas pelos saqueadores, datadas de 2013-2014 e são o resultado de trocas nas redes sociais pelos saqueadores que tentam esgotar o stock, provavelmente de um túmulo".

Encontrar obras de arte saqueadas pode em breve vir a ser uma tarefa mais fácil, através de uma aplicação já usada por alfândegas.

Com uma simples fotografia do objeto, é possível ter várias informações úteis, como, por exemplo, a origem geográfica.

O tráfico de obras de arte, estima a UNESCO, gera entre 3 e 15 mil milhões de euros por ano.