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Eurodeputados preocupados com aumento da violência na Colômbia

De  Isabel Marques da Silva  & Ana Valiente
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Eurodeputados preocupados com aumento da violência na Colômbia
Direitos de autor  Ivan Valencia/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
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A média de um homicídio a cada quatro dias, em janeiro deste ano, revela como a Colômbia mergulhou num dos períodos mais violentos desde o acordo de paz com o movimento rebelde FARC, há cinco anos.

Entre as vítimas estão ativistas, líderes de movimentos sociais e ex-guerrilheiros, segundo a Jurisdição Especial para a Paz, órgão de investigação deste tipo de crimes ligados aos processo político.

Membros da sociedade civil dizem que a resposta sócio-económica deveria ser a prioridade governamental.

“Esperamos que o governo implemente medidas abrangentes, políticas públicas que possam ter como alvo as diferentes causas da violência, em vez de se focar apenas no controlo militar de grupos armados. Deveria, também, proporcionar melhores condições económicas às comunidades camponesas que, historicamente, vivem em territórios afetados pelo conflito, o que reduziria a desigualdade social tão forte que existe face às cidades mais importantes da Colômbia", disse Sebastián Escobar Uribe, advogado criminal colombiano, em entrevista à euronews.

"Colômbia é um estado incompleto e disfuncional"

A subcomissão dos Direitos Humanos do Parlamento Europeu alertou, a semana passada, para a falta de segurança na Colômbia.

Desde 2016, que União Europeia financia o Fundo Europeu para a Paz na Colômbia, dotado de 127 milhões de euros, para projetos de desenvolvimento rural, reintegração de ex-combatentes e de empoderamento das comunidades vulneráveis, incluindo indígenas.

“Um dos objetivos da União Europeia é colmatar as deficiências estruturais do Estado colombiano que estão na base, em grande medida, do que aconteceu no país, nas últimas décadas. Sobretudo, na questão da segurança. A Colômbia é um estado incompleto e disfuncional em várias zonas do território, o que permite maior número de homicídios de ativistas sociais e defensores dos direitos humanos, mas também dos ex-combatentes, cujo número de homicídios é alarmante”, afirmou Javi López, eurodeputado espanhol de centro-esquerda.

Emilio Archila, assessor do presidente Ivan Duque para o dossiê de consolidação da paz, defende um programa de longo prazo para resolver as causas estruturais do conflito político que se iniciou nos anos 60 e que foi alimentado pelos cartéis de narcotráfico.

“Fizemos um plano muito detalhado para o período de 15 anos após a assinatura do acordo de paz de forma a superar os muitos problemas que a Colômbia devia ter enfrentado há décadas, mesmo quando não havia acordo de paz. Estamos a ter resultados que tornarão o processo irreversível em dezembro de 2021”, explicou o assessor à euronews.

A reintegração sócio-económica dos ex-guerrilheiros, o apoio às vítimas da violência e novos meios de subsistência que permitam abandonar voluntariamente o cultivo das folhas de coca são os desafios a que o governo se propõe dar resposta.