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Borrell defende visita à Rússia junto de eurodeputados

De  Isabel Marques da Silva  & Efi Koutskosta
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Borrell defende visita à Rússia junto de eurodeputados
Direitos de autor  OLIVIER HOSLET/AFP
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O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, não deveria ter visitado o governo russo em Moscovo, criticaram vários eurodeputados, terça-feira, que pediram explicações sobre o desaire num momento de grande tensão entre o bloco e esse país.

Mas Josep Borrell voltou a defender a missão da passada quinta-feira, a primeira de alguém no seu cargo nos últimos quatro anos: "Apesar de todos os erros, insuficiências e objeções que possam mencionar, acredito que se realmente considerarmos que os direitos humanos e as liberdades públicas estão no cerne do nosso projeto político, a situação de Aleixei Navalny e da oposição russa exigia uma firme e energética presença".

As críticas duras do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, durante a conferência de imprensa conjunta foram consideradas humilhantes para Borrell.

O diplomata espanhol é também vice-presidente da Comissão Europeia e tem o papel de criar consensos nesta área entre os 27 países da União Europeia, o que poderá ter ficado mais difícil.

Tiro no pé ou bater o pé a Putin?

"Ele não é um mensageiro, ele é o Alto Representante da União Europeia e tem o dever de assegurar uma posição própria da União Europeia no Conselho que reúne os Estados-membros. Se não for capaz de garantir essa posição, deve demitir-se. É difícil imaginá-lo a representar a União Europeia a nível diplomático com autoridade e credibilidade porque ficaram severamente debilitadas", disse Sophie Int' Veld, eurodeputada neerlandesa liberal.

"Houve uma certa incapacidade de avaliação por parte dele, que caiu numa armadilha do Kremlin. Durante o processo de preparação, Borrell recebeu muitas mensagens do Parlamento Europeu com fortes recomendações para que não fizesse a visita", afirmou, por seu lado, Sandra Kalniete, eurodeputada letã do centro-direita.

Isto é exatamente o que o presidente Putin quer, isto é, que não haja consenso na União Europeia sobre como reagir às políticas russas.
Ignacio Sánchez Amor
Eurodeputado espanhol do centro-esquerda

Cerca de sessenta eurodeputados chegaram a assinar uma carta a pedir a demissão de Borrell, mas há outros que lamentam esse ataque, que joga a favor do adversário.

"Estas críticas no interior da própria União Europeia apenas favorecem o governo russo. Isto é exatamente o que o presidente Putin quer, isto é, que não haja consenso na União Europeia sobre como reagir às políticas russas", alertou Ignacio Sánchez Amor, eurodeputado espanhol do centro-esquerda.

Mas o lugar de Borrell parece estar seguro por agora, tendo os líderes da União Europeia agendado, para a cimeira de março, uma discussão estratégica sobre o futuro relacionamento com a Rússia.