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"Estado da União": O braço-de-ferro UE-Rússia

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"Estado da União": O braço-de-ferro UE-Rússia
Direitos de autor  Spencer Rasson, Euronews
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Em Itália prestou-se a última homenagem o embaixador do país na República Democrática do Congo (RDC), Luca Attanasio, e ao seu guarda-costas, Vittorio Iacovacci, que foram mortos num ataque a uma caravana da ONU, no quadro de um projeto de alimentação escolar do Programa Alimentar Mundial.

O ataque ocorreu perto da cidade de Goma, uma área que já testemunhou muita violência sectária. O Ministério do Interior da RDC culpou uma milícia rebelde pelos assassinatos, mas esse grupo negou qualquer responsabilidade.

O governo italiano exige explicações na voz de Luigi di Maio, ministro dos Negócios Estrangeiros: “Pedimos formalmente a abertura de uma investigação que esclareça o incidente, a estratégia de base sobre as medidas de segurança que foram tomadas e quem foi o responsável por essas decisões. Também esperamos que cheguem o mais breve possível respostas claras e exaustivas".

Quando a notícia deste ataque foi divulgada, di Maio estava numa reunião com os homólogos dos outros 26 países da União Europeia, em Bruxelas, na qual foi decidido punir com sanções as autoridades russas responsáveis ela perseguição ao líder da oposição e ativista anti-corrupção Alexei Navalny.

Neste programa está em destaque a entrevista de Efi Koutsokosta ao embaixador da Rússia para a União Europeia, Vladimir Chizhov, a quem começou por pedir um comentário sobre a decisão de novas sanções.

Vladimir Chizhov/embaixador da Rússia para a UE: Parece que os ministros dos Negócios Estrangeiros escolheram o caminho estreito entre "Cila e Caribdis". Com isto quero dizer que eles queriam reagir a esta onda de emoções anti-Rússia que existe na a opinião pública liberal e que inclui, infelizmente, muitos membros do Parlamento Europeu. Por outro lado, não queriam que houvesse danos substanciais nos interesses económicos da União Europeia, nomeadamente no que diz respeito ao gasoduto Nord Stream 2. E, em terceiro lugar, não queriam estragar o relacionamento romântico que está a nascer com a nova administração norte-americana. Portanto, esta era uma linha ténue, admito. Se foram bem sucedidos, eu não sei, mas, do nosso ponto de vista, obviamente esta é mais uma oportunidade perdida para re-alinhar as nossas relações. E este é mais um passo no sentido negativo, num relacionamento que parece estar a escorregar por uma ladeira abaixo.

Efi Kpoutskosta/euronews: Também vimos o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia a dizer que União Europeia não é um parceiro de confiança. Porquê?

Vladimir Chizhov/embaixador da Rússia para a UE: Há um ditado russo que diz "quando alguém cai ao chão, há sempre alguém que lhe bate por baixo". Então, eu não diria que chagamos ao fim do relacionamento. Penso que é mau para os dois lados que as relações entre a Rússia e a União Europeia se tenham tornado reféns dos desenvolvimentos noutro país, que é a Ucrânia. Esses desenvolvimentos estão a impedir qualquer mudança na posição da União Europeia em relação ao meu país. Quando tem um parceiro que por motivos incompreensíveis, sem qualquer provas adequadas, toma decisões para introduzir unilateralmente medidas restritivas ou fazer declarações pouco positivas, é claro que tratamos essa entidade com um parceiro que não é de confianca.