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Startups resistem à crise da Covid-19

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João Cardoso
João Cardoso   -   Direitos de autor  RTP
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A ideia de João Cardoso foi criar o que chamou uma "Netflix dos seguros", uma seguradora que funcione 100% online. A ideia parecia ter pernas para andar, mas a ambição era encontrar um mercado grande e Portugal parecia demasiado limitado, até porque precisavam de um investimento inicial. Foi assim que João e a restante equipa decidiram instalar-se em Paris e fundar a Lovys.

"Se, em Portugal, for bater à porta de um investidor e disser que preciso de dois ou três milhões de euros para ligar as luzes, que é na prática isso, testar uma ideia, toda a gente vai achar que sou completamente louco. Então viemos de malas para França e começámos, desde o primeiro dia, a vender em França, porque precisávamos de um mercado grande", conta João Cardoso.

Uma mudança possível graças a uma Europa sem fronteiras. Diz o CEO da Lovys: "Se não existisse um verdadeiro mercado europeu, uma empresa com a gente da Lovys não existiria. Ou seja, uma empresa que ao mesmo tempo está no mercado francês, mas tem equipa técnica em Portugal, tem pessoas de múltiplas nacionalidades europeias. Este tipo de empresa, este tipo de startup é algo absolutamente novo".

Se não existisse um verdadeiro mercado europeu, uma empresa como esta não existiria.
João Cardoso
Empresário

Sobretudo desde o lançamento do programa La French Tech em 2014, França tornou-se um terreno fértil para as startups, com crescimentos de mais de 20%, tanto em volume de negócios como em força de trabalho, entre 2018 e 2019, segundo o último estudo sobre este setor, feito em setembro de 2020. O estudo mostra também uma boa resiliência aos efeitos da pandemia e do primeiro confinamento no ano passado. Mais de metade das startups francesas manteve-se financeiramente estável, com grande parte a recorrer aos programas de ajuda.

Julie Berliet,responsável pelo setor de tecnologias digitais da agência de investimento da região de Lyon, explica este poder de encaixe: "Temos de perceber que toda esta crise favoreceu a transição digital das empresas, que já estava em curso, mas que foi muito acelerada. Como a maior parte delas atua no campo do digital, muitas viram os negócios crescer".

A crise ligada à pandemia é provavelmente o maior abanão para as economias mundiais em décadas. Mas como acontece sempre nas grandes crises, há setores que aproveitam para florescer. Um mercado aberto e uma economia digitalizada dão as condições ideais a este tipo de empresa.

Agradecimento: Rosário Salgueiro/RTP

Editor de vídeo • Ricardo Figueira