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Julgamento de Dante "repetido" 720 anos depois

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De  Ricardo Figueira
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Dante Alighieri
Dante Alighieri   -   Direitos de autor  FRANCESCO BELLINI/AP
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A justiça tarda, mas chega. Pelo menos, é isso que um grupo de juristas italianos quer agora que aconteça com aquele que é considerado o maior poeta de sempre o país: Dante Alighieri. Exilado de Florença em 1302, depois das lutas políticas entre as fações chamadas branca e negra, o grupo pede agora a revisão do julgamento, quase 720 anos depois.

"A nossa intenção é rever o julgamento, não só de acordo com as bases jurídicas de hoje, mas também da altura. Perceber se esta sentença foi emitida depois de um julgamento justo ou se foi apenas uma manobra política para eliminar um adversário incómodo", conta Alessandro Traversi, advogado que organizou esta revisão.

Traversi convidou outros advogados, juízes e procuradores e ainda os descendentes de Dante e dos adversários. O processo será reaberto numa conferência no dia 21 de maio.

Antoine de Gabrielli é descendente de Cante de' Gabrielli da Gubbio, o nobre que ordenou a expulsão de Dante: "A cidade de Florença pediu desculpas pelo ato do meu antepassado. Um pouco na brincadeira, telefonei-lhes a dizer que não deveriam ter feito isso. Afinal de contas, se Dante não tivesse sido expulso de Florença, nunca teria escrito a Divina Comédia", conta.

Aquela que é considerada a obra-prima do poeta italiano foi escrita depois do autor se ter exilado. Além disso, o próprio enredo da Divina Comédia foi, em parte, inspirado pelas lutas políticas em Florença.