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Irlanda do Norte: A nova fronteira "Brexit" que gera tensão

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Irlanda do Norte: A nova fronteira "Brexit" que gera tensão
Direitos de autor  PAUL FAITH/AFP
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Mais de uma semana de confrontos violentos mergulharam a cidade de Belfast na maior crise política desde o acordo de Sexta-feira Santa, em 1998, que trouxe a paz à Irlanda do Norte. Este território foi palco de três décadas de grande violência, recorda John Bruton, ex-primeiro-ministro da vizinha República da Irlanda.

"Entrei na política em 1969, quando começaram os problemas, e o que se passa faz-me recordar esses tempos. Tudo começou com distúrbios, no final dos anos 60, e gradualmente transformou-se em algo muito, muito pior do que distúrbios iniciais. Há o risco de estarmos a entrar no mesmo ciclo, novamente. E acontece por causa da falta de atenção do governo de Londres em relação aos problemas na Irlanda do Norte", disse Bruton, em entrevista à euronews.

Os primeiroS sinais de tensão surgiram com o referendo sobre o Brexit, em 2016, temendo-se que a saída do Reino Unido da União Europeia reacendesse a crise entre unionistas, leais à coroa britânica, e nacionalistas, que defendem a integração na República da Irlanda.

Com a concretização do Brexit tem que ser implementado o chamado protocolo da Irlanda do Norte. Cria-se, assim, uma fronteira no mar, em vez de em terra, permitindo à União Europeia controlar as mercadorias que o Reino Unido envia para o norte da ilha irlandesa, e que podem ser escoadas para o sul, um dos 27 Estados-membros.

Os símbolos, infelizmente, são extremamente importantes para a Irlanda do Norte. Frequentemente, são os símbolos, e não os factos da vida real, que influenciam as pessoas.
John Bruton
Ex-primeiro-ministro da República da Irlanda

O atraso na ratificação do acordo comercial entre UE e Reino Unido também não ajuda. Os unionistas da Irlanda do Norte estão contra qualquer controlo aduaneiro.

"Os unionistas consideram que quaisquer controlos, mesmo que sejam de caráter altamente burocrático sobre produtos de jardinagem e outras coisas parecidas, simbolizam um enfraquecimento da união entre a Irlanda do Norte e o Reino Unido. E os símbolos, infelizmente, são extremamente importantes para a Irlanda do Norte. Frequentemente, são os símbolos, e não os factos da vida real, que influenciam as pessoas. Esse é o legado de 300, 400 anos de conflito", explica o ex-primeiro-ministro.

Até o presidente dos EUA, Joe Biden, que tem ascendência irlandesa, tem apelado ao diálogo, mas já foram convocados mais protestos para o fim-de-semana.