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Covid-19: Poderá a vacinação tornar-se obrigatória?

De  Isabel Marques da Silva  & Christopher Pritchard
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Covid-19: Poderá a vacinação tornar-se obrigatória?
Direitos de autor  DANIEL MUNOZ/AFP
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A chamada imunidade de grupo tem sido defendida por peritos de saúde e pelos governos como condição para diminuir as restrições de movimento como principal forma de combater a pandemia.

A vacinação é o melhor método para o conseguir e tem sido voluntária, mas poderá passar a obrigatória e poderá ser invocada uma decisão, na semana passada, do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

O caso, com origem na Chéquia, não tinha a ver com a Covid-19, mas com vacinas dadas na infância. O tribunal disse que o interesse geral se sobrepõe e que "a obrigatoriedade pode ser necessária numa sociedade democráticas".

“As ilações que se podem tirar par o caso atual têm a ver com a forma como os governos organizam determinadas campanhas de vacinação e que exigem a ponderação de diferentes interesses. Isto é, não apenas os interesses do indivíduo que não quer ser vacinado, mas também o interesse geral da populacao, que ficará protegida se houver uma alta taxa de vacinação", explicou Antoine Buyse, professor de Direitos Humanos na Universidade de Utrecht, em entrevista à euronews.

Itália foi o primeiro país da União Europeia a decretar a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19, mas apenas para os profissionais de saúde, estando previstas sanções para quem se recusar.

Ao contrário do caso apreciado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, sobre vacinas contra doenças infecciosas bem conhecidas, tais como tuberculose, a Covid-19 ainda apresenta incógnitas.

“Até sabermos se as vacinas são realmente muito eficazes na prevenção da transmissão, a vacinação obrigatória não tem muita justificação. Mesmo que previna a transmissão, é preciso fazer um grande debate. Todos têm de ter igual acesso as vacinas. Não se pode tornar uma vacina obrigatória para poder ir, por exemplo, ao supermercado ou a um bar, se metade da população não tiver acesso às vacinas. É um debate complicado", disse Jeremy Ward, sociólogo do INSERM Paris, em entrevista à euronews.

Ceticismo elevado em alguns países

Há uma grande variedade de opiniões sobre o tema, revelou uma sondagem da empresa francesa IPSOS, no início do ano: em Espanha e Itália, verifica-se uma alta adesão à obrigatoriedade, e o contrário na Alemanha e em França.

A recente controvérsia sobre o risco de ter coágulos sanguíneos no caso do uso da vacina da AstraZeneca, também poderá aumentar o ceticismo.

"Se houver muitas pessoas hesitantes e lhes for proposta a vacina da AstraZeneca, teremos enormes dificuldades em conseguir vaciná-las, a menos que haja algo de novo sobre isso no futuro", referiu o sociólogo.

Outra questão complexa no caso da Covid-19 tem a ver com disseminação de novas estirpes que poderão exigir adaptação das vacinas, bem como a grande assimetria na vacinação entre as várias regiões do globo.