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Teorias da conspiração e negacionistas da Covid-19 na Europa

Ativista numa contramanifestação a criticar um protesto negacionista na Alemanha
Ativista numa contramanifestação a criticar um protesto negacionista na Alemanha Direitos de autor AP Photo/Michael Sohn
Direitos de autor AP Photo/Michael Sohn
De  Francisco Marques com France Press
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Agência France Press realizou uma reportagem por alguns eventos promovidos por negacionistas e falou com um divulgador francês de teorias da conspiração

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Países Baixos e Alemanha têm sido alguns dos países europeus onde os movimentos negacionistas da covid-19 mais têm proliferado, com recorrentes manifestações a questionar a veracidade da pandemia e a reclamar das medidas restritivas impostas pelos governos para travar a propagação do SARS-CoV-2.

Os grupos de divulgação de teorias da conspiração não são novos, mas ganharam fôlego recentemente sobretudo nos Estados Unidos, na sombra do ex-presidente Donald Trump, atualmente suspenso das principais redes sociais por divulgar acusações infundadas sobre as eleições americanas.

A rede Q-Anon, que muito fez para tentar promover as opiniões de Trump, tornou-se uma inspiração para muitos destes negacionistas, sobretudo para aqueles que se sentem particularmente reprimidos de forma ilegal pelos respetivos governos no quadro de uma pandemia que muitos dizem não ser mais do que uma ilusão para manter o povo refém.

"O virus é uma ferramenta para exercer o poder. É apenas a elite do mundo e eles estão a trabalhar nisto há mais de 20 anos", afirma Monique Lustig, participante de uma manifestação nos Países Baixos que questiona a veracidade da pandemia ao microfone da France Press.

A agência de notícias gaulesa visitou também Christophe Charret, um empresário francês que dá voz a um "podcast" no canal “Aliança Humana”, da rede social Telegram.

O canal tem 12 mil seguidores das teorias conspiracionistas que ali são divulgadas sobre os mais diversos assuntos, incluindo a Covid-19.

Christophe Charret inspira-se nas teorias da rede americana Q-Anon e Donald Trump parece ser um exemplo.

Em declarações à France Press, Charret manifestou o direito a "pensar diferente".

"O que é engraçado, e ao mesmo tempo muito aborrecido, é a violência contra as pessoas que são contra a doxa. Existe uma violência quase imediata para desacreditar", disse o empresário, falando mesmo em "terrorismo verbal":  "É isso também que me preocupa: porquê uma tal violência contra pessoas que exprimem apenas uma ideia diferente?"

Christophe Charret avisa que "o controlo de consciências, em particular, não é um mito" e prossegue no seu "podcast" a discorrer sobre uma série de teorias sobre poderes que têm as rédeas do mundo nas mãos e que vão fazer tudo para não as perder, sem apresentar qualquer fundamento para essas denuncias, mas ainda assim contabilizando 30 mil visualizações no programa a que a France Press assistiu.

A agência francesa mantém em aberto a forma como estes movimentos negacionistas ou conspiracionistas vão evoluir na Europa e coloca as próximas eleições na Alemanha (legislativas em setembro) e em França (presidenciais em 2022) como testes para se perceber a pegada social e política destes grupos com alguns laços identificados com forças de extrema-direita.

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