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Bélgica abre investigação por homicídio involuntário

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Bélgica abre investigação por homicídio involuntário
Direitos de autor  FRANCOIS WALSCHAERTS/AFP or licensors
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A justiça belga abriu uma investigação por possível homicídio involuntário por falta de previsão ou de precaução devido às inundações que ocorreram no país, em meados de julho, e fizeram mais de 40 mortes.

O anúncio foi feito, esta quinta-feira, pelo gabinete do Ministério Público da cidade de Liège.

Nas localidades mais afetadas, os habitantes tentam salvar o que é possível e prosseguir com as suas vidas, mas o trauma e os danos emocionais podem levar anos a sanar, como confirma um habitante da localidade de Trooz, uma das mais afetadas, Eric Mouqué:

"Vamos ouvir esses ruídos para o resto das nossas vidas. Ficámos traumatizados. Causa uma grande impressão. Temos visões de carros a passar, ouvimos a água, é atroz."

Cindy Mouqué partilha que para ela, "é o cheiro e o barulho que são mais difíceis. O barulho, sempre que ouço uma porta bater ou quando algo está prestes a bater no chão, faz-me saltar".

"Os psicólogos estão a percorrer o bairro para falar um pouco connosco, mas por agora não temos tempo para falar. Temos muitas coisas para esvaziar e estamos a tentar salvar algumas coisas", diz Carine Lacroix, de Trooz.

Na localidade de Trooz, uma das mais afetadas pelas cheias e enxurradas, são muitos os habitantes que apresentam sintomas de transtorno de stress pós-traumático e ansiedade.

Para o psicólogo Etienne Vendy, "É claramente um trauma profundo e é por isso que pensamos que precisamos de criar uma estrutura a longo prazo para esta gestão. Para as vítimas que viveram no inferno, ela permanecerá para sempre nos seus corpos e mentes. Isso é certo".

A Bélgica, a par da vizinha Alemanha, foi um dos países europeus mais afetados pelas chuvas torrenciais que se abateram na região nos dias 14 e 15 de julho. De acordo com o último balanço das autoridades belgas, no país, morreram pelo menos 41 pessoas. Duas estão ainda desaparecidas.