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Poluição do ar já ameaça matar mais que o tabaco ou o álcool

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De  Francisco Marques
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Fumo dos incêndios florestais sobre a cidade de Calgary Stampede, em Alberta, no Canadá
Fumo dos incêndios florestais sobre a cidade de Calgary Stampede, em Alberta, no Canadá   -   Direitos de autor  Jeff McIntosh/The Canadian Press via AP
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A poluição do ar está a revelar-se uma das mais graves ameaças à vida humana e se nada for feito pode tornar-se ainda pior nos próximos anos ou décadas.

O alerta surgiu esta semana num estudo da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, intitulado Índice da Qualidade do Ar e da Vida e que tem por objetivo calcular a esperança de vida através do impacto da respiração de partículas poluentes (PM, na sigla inglesa) que afetam a saúde.

Esta nova edição do índice aponta o dedo às centrais a carvão, coloca a Índia na pior posição, com uma redução de quase seis anos na esperança de vida naquele país devido aos altos níveis de poluição.

O estudo tem por base outras duas investigações centradas numa franja da população chinesa expostas de forma prolongada a diferentes níveis de poluição para calcular o respetivo impacto na esperança média de vida.

A China, aliás, "é um importante modelo de progresso", sublinha-se no relatório, com referência aos picos de poluição sofridos em 2013 como o grande impulso para novas políticas ecológicas numa "guerra contra a poluição" assumida pelo primeiro-ministro Li Keqiang.

As medidas permitiram à China reduzir as emissões poluentes em 29%, com um impacto positivo de mais 1,5 anos na esperança média de vida da população, desde que a melhoria do ar se mantenha. Uma redução da poluição em seis anos a um nível que aos Estados Unidos e à Europa só foi possível em várias décadas.

Numa avaliação global, este novo índice da qualidade do ar e da vida diz que os atuais níveis de poluição vão reduzir em 2,2 anos a esperança média de vida de cada pessoa em todo o mundo.

Esta causa da morte, de acordo com o estudo, será já mais grave que o tabaco, o álcool, a falta de água potável, acidentes de viação ou mesmo doenças como a SIDA ou a malária.

Após um ano de pandemia, o estudo diz-nos que algumas zonas do planeta beneficiaram de uma melhoria da qualidade do ar devido à suspensão de grande parte da atividade comercial e turística.

No entanto, os fortes incêndios florestais inflamados pelas alterações climáticas voltaram a cobrir muitas cidades de fumo. Nomeadamente nos Estados Unidos e no sul da Europa.

Esta relação entre os incêndios e a poluição reforça também os alertas para a necessidade de medidas mais eficazes na transição energética, como o fim do uso de combustíveis fósseis, para travar o aquecimento global.

Nesse sentido, este estudo da universidade de Chicago recomenda que sejam seguidas as orientações da Organização Mundial de Saúde de uma redução de 35 microgramas de partículas poluentes inaláveis por metro cúbico (µg/m3) paras as 10 µg/m3. Esta medida poderia reduzir em 15% as mortes relacionadas com a poluição do ar, estima a OMS.

Alguns membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), reunida esta semana, também já embarcaram nesta batalha contra o aquecimento global e pediram aos parceiros produtores de petróleo para começarem a virar o foco do negócio para as energias renováveis.