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NATO discute ameaças da China, da Rússia e dos talibãs

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De  Francisco Marques
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Ministro da Defesa dos Países Baixos à conversa com o secretário da Defesa dos Estados Unidos
Ministro da Defesa dos Países Baixos à conversa com o secretário da Defesa dos Estados Unidos   -   Direitos de autor  AP Photo/Virginia Mayo

A Aliança do Tratado do Atlântico Norte (NATO) procurou dar esta quinta-feira uma prova de união e força na primeira reunião dos respetivos ministros da Defesa desde a retirada militar do Afeganistão.

O bloco militar pretende agora concentrar-se na defesa dos respetivos territórios na região euro-atlântica, contra as crescentes ameaças de Rússia e China, nomeadamente através do forte investimento em mísseis supersónicos e na exploração espacial.

O secretário-geral da NATO garante ainda assim que a estratégia não passa por "imitar o comportamento desestabilizador da Rússia nem tem intenção de instalar mais bases terrestres para mísseis nucleares na Europa".

"Estamos a implementar um pacote equilibrado de medidas políticas e militares para responder a essas ameaças", afirmou Jens Soltenberg.

Entretanto, de Moscovo surgiu uma reação. O Presidente Vladimir Putin considera a presença da NATO na Ucrânia uma ameaça para a Rússia. O Kremlin mostra-se disponível a retomar o diálogo, mas só se a NATO demonstrar real interesse nessa interação, o que a porta-voz do Conselho da Federação Russa disse ser pouco expectável depois da expulsão de Bruxelas de diplomatas russos por suposta espionagem.

O Afeganistão, e o novo governo talibã que tomou o poder pelas armas em agosto, foi outro dos pratos fortes deste primeiro dia de reunião dos membros da NATO.

O encontro em Bruxelas dos ministros da Defesa, onde se inclui o português João Gomes Cravinho, acontece quase dois meses depois do fim da retirada de quase 12 mil pessoas do país agora sob controlo dos talibãs. Muitas delas afegãs que colaboraram com os aliados da NATO.

Com uma crise económica e humanitária agora nas mãos, os talibãs clamam reconhecimento internacional do executivo e por apoio, mas parecem continuar de costas voltadas para os direitos humanos reivindicados, por exemplo, pelas Nações Unidas.

A possibilidade do país se tornar agora num porto seguro para grupos terroristas é outra preocupação.

"Vamos estar atentos a qualquer tentativa de reagrupamento no Afeganistão de organizações terroristas internacionais. Os aliados têm a capacidade de atacar para lá do horizonte qualquer ameaça terrorista. Iremos responsabilizar os talibãs pelas promessas feitas sobre o terrorismo, passagens seguras e direitos humanos", prometeu Stoltenberg.

A reunião prossegue esta sexta-feira e há um ponto onde o consenso poderá ser mais complicado de se alcançar. Em especial depois do recente negócio de submarinos nucleares entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, que fez abortar um negócio praticamente fechado da França.

Os franceses pretendem desenvolver uma capacidade militar autónoma para defender os respetivos interesses em situações onde os parceiros não possam ou não queiram envolver-se.