A nova "rainha" do Parlamento da Alemanha

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De  Francisco Marques
Discurso da nova presidente do "Bundestag" após ser eleita
Discurso da nova presidente do "Bundestag" após ser eleita   -   Direitos de autor  Photo/Markus Schreiber

Bärbel Bas é a nova presidente do Parlamento da Alemanha. A social-democrata (SPD) foi eleita para suceder a Wolfgang Schäuble no "Bundestag" com 576 votos a favor, 90 contra e 58 abstenções.

Bas é a terceira mulher a assumir a liderança dos deputados alemães e assume o lugar no ano do adeus ao Parlamento de Angela Merkel, a mulher que liderou os destinos da Alemanha, e da União Europeia, durante 16 anos.

A nova composição do "Bundestag" realizou esta terça-feira a primeira sessão depois das eleições de setembro, ganhas pelo SPD, de Olaf Sholz, e que, tudo indica, vão motivar uma curva à esquerda da política alemã.

Os sociais-democratas encontram-se a negociar uma nova coligação de governo com os "Verdes" e os liberais democratas (FDP), numa aliança conhecida na Alemanha como "semáforo" devido às cores dos três partidos envolvidos.

O líder do novo governo ainda está por confirmar e até lá Angela Merkel vai manter-se como chanceler interina, a pedido do Presidente alemão, Frank Walter Steinmeier. A previsão é que o novo governo seja empossado até meados de dezembro.

Quanto a Bärbel Bas, a nova presidente do Bundestag disse defender "o facto" de se estar "a desenvolver uma nova proximidade aos cidadãos nesta legislatura". "E não apenas porque este Parlamento é composto por uma notável diversidade de pessoas", acrescentou.

"Vamos estender a mão às muitas pessoas deste país, em especial àqueles que não se sentem representadas pelos políticos há muito tempo", prometeu a nova presidente do Parlamento alemão, no primeiro discurso após ser eleita com larga maioria para suceder a Schäuble.

Esta primeira sessão ficou ainda marcada pelo início de funções da primeira deputada negra alemã.

Awet Tesfaiesus, de 47 anos e natural da Eritreia, chegou à Alemanha com 10 anos, formou-se em Direito, é advogada, tendo dedicado a carreira a defender os direitos dos imigrantes e dos requerentes de asilo.

Tesfaiesus vai ocupar um dos 118 assentos dos "Verdes", agora a terceira força política na Alemanha.

As coligações de governo na Alemanha

Os executivos da maior economia da União Europeis são formados por tradição por coligações de diversos partidos porque a prática mostra que apenas por uma vez em 70 anos a maioria no "Bundestag" foi conseguida por apenas um partido político.

Algumas destas alianças governativas recebem apelidos curiosos. Eis as mais usuais:

Grande coligação/GroKo
Junta os dois maiores partidos alemães, a CDU e o SPD, e daí o nome de "grande coligação" ou "GroKo". A primeira versão surgiu em 1966. A segunda surgiu em 2005, no aparecimento de Angela Merkel (CDU) como chanceler. A coligação viria a aser retomada em 2013 e, após nova negociação de mais quatro meses em 2017, durou até agora;

"Semáforo"
É a designação para uma coligação entre o SPD (vermelho), o FDP (amarelo) e os Verdes, já testada a nível regional, mas ainda por estrear a nível federal. Parece, no entanto, ser agora a mais viável após os últimos resultados;

"Jamaica"
Parte das cores da bandeira do país e, claro, de novo das cores dos partidos envolvidos. Neste caso, trata-se de uma aliança também já testada a nível regional e ainda por estrear no Parlamento nacional. Junta os democratas-cristãos da CDU/CSU (preto) com os Verdes e o FDP (amarelo);

Preto-amarelo
É a coligação que mais vezes esteve no poder e junta a CDU, com o irmão-bávaro CSU, ao FDP. Formaram juntos 10 executivos e governaram 19 anos, mas a perda de força dos liberais, praticamente extinguiu a possibilidade de uma "reencarnação" a dois;

Verde-Vermelho
Os ecologistas entraram pela primeira vez num governo federal em 1998, ao lado do SPD. Depois de uma perda de força após 2011, os Verdes voltaram a ganhar força com o Acordo de Paris e a necessária luta contra as alterações climáticas. Em 2017, chegaram a ser ponderados para uma coligação,tal comoa gora, mas ainda sem a força necessária para um novo executivo bipartido com os sociais-democratas de centro-esquerda.