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Máscaras e testes anticovid de regresso ao uso corrente em Portugal
Máscaras e testes anticovid de regresso ao uso corrente em Portugal   -   Direitos de autor  AP Photo/Ana Brígida

Portugal entre os dois cenários mais graves da Covid-19 e a multar no aeroporto, OMS faz apelo

Portugal está entre os dois cenários mais graves da epidemia de Covid-19 previstos para esta temporada de outono e inverno devido ao surgimento da variante de preocupação (VdP) Ómicron, revelou a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas.

A estratégia revelada em outubro pela Direção-geral da Saúde (DGS) assentava em três cenários possíveis e tinha por objetivo minimizar os casos de doença grave e de mortalidade relacionados com o SARS-CoV-2.

No cenário 2, a incidência é elevada com uma ocupação moderada a elevada das camas de hospital pelos "doentes covid".

No cenário 3, previa-se o surgimento de uma nova variante que iludisse as vacinas, aumentando a transmissibilidade, a gravidade da doença e saturando a ocupação hospitalar.

"Eu diria que estamos entre o 2 e o 3 porque de facto há uma nova variante em circulação, mas até à data não demonstrou um potencial de ser mais grave do que as outras. Já apareceu em muitos pontos do mundo, incluindo em Portugal, tem havido muitos casos na África do Sul, mas não têm estado associados a maior gravidade", reconheceu Graça Freitas.

De acordo com os últimos dados conhecidos, Portugal já diagnosticou pelo menos 37 casos infetados com a VdP Ómicron.

Enquanto se aguardam dados mais concretos sobre a real gravidade desta nova estirpe do SARS-CoV-2, a DGS decidiu alargar para 14 dias o isolamento profilático inclusive dos casos suspeitos desta VdP.

"São medidas temporárias de precaução até termos mais informação científica que nos explique melhor como é que a variante se comporta, se tem o mesmo período de incubação, se tem o mesmo período de infeciosidade", explicou Graça Freitas.

Em termos de vacinação, a DGS mostrou-se ainda favorável à vacinação anticovid de crianças dos cinco aos 11 anos.

"Concluiu-se que a avaliação de risco-benefício é favorável à vacinação universal de crianças nesta faixa etária, sendo prioritária nas crianças com comorbilidades consideradas de risco para a covid-19 grave”, lê-se no comunicado difundido.

Portugal anunciou esta quinta-feira mais 3.588 infeções diagnosticadas e 23 mortes registadas em 24 horas. Nos hospitais, há mais 44 camas ocupadas por "doentes covid", num total de 961, incluindo 142 nos cuidados intensivos (mais quatro face a quarta-feira).

Em relação aos primeiros nove dias de dezembro, em 2020 Portugal tinha um número similar de novas infeções, mas as mortes eram quatro vezes mais (687 contra agora 169).

Nos hospitais, há um ano havia um total de 3.332 "doentes covid" internados, incluindo 504 em UCI.

A diferença resulta, garantem os especialistas, da taxa de vacinação da população em Portugal, 89%, a mais alta da União Europeia.

Com o Natal à porta e uma nova VdP indentificada por uma cientista portuguesa na África do Sul a alastrar-se pela Europa, o governo jogou pelo seguro e colocou Portugal continental em Estado de Calamidade a partir de 1 de dezembro.

A decisão inclui as seguintes medidas:

  • recomendação de testagem regular e teletrabalho sempre as que as funções o permitam;

  • o regresso do uso obrigatório de máscara em todos os espaços fechados;

  • apresentação do certificado digital para aceder a restaurantes, estabelecimentos hoteleiros, eventos com lugar marcado e ginásios;

  • exigência de teste negativo obrigatório, mesmo para vacinados, nas visitas a lares e estabelecimentos de saúde, grandes eventos desportivos e culturais, discotecas e bares;

  • teste negativo obrigatório mais certificado digital para entrar no país por via aérea ou marítima

  • sanções agravadas para companhias aéreas que não controlem os testes à partida

Até quarta-feira, as multas a companhias aéreas que não cumpriram as novas regras portuguesas já ascendiam a quase 12 milhões de euros, calculou a Rádio Renascença, com base no valor mais baixo das multas às empresas: 20 mil euros (o valor máximo é o dobro).

Entre os dias 1 e 7 de dezembro, o Ministério da Administração Interna revelou à Lusa que o SEF e a PSP fiscalizaram 1.985 voos e e 186.267 passageiros, no que resultou em 591 contra-ordenações.

Os viajantes que chegarem a Portugal via aérea ou marítima sem teste incorrem numa multa entre os 300 e os 800 euros.

OMS apela a vacinação equilibrada

A Organização Mundial de Saúde voltou entretanto a alertar para ser dada prioridade à vacinação de quem ainda não é vacinado, sobretudo em países com escassez de vacinas anticovid, em vez de se estar a avançar para um reforço da imunização.

A OMS garante que o processo primário de vacinação é eficaz pelo menos durante seis meses, incluindo contra a nova VdP, e por isso deve-se privilegiar o processo de vacinação em zonas mais vulneráveis e suscetíveis de desenvolverem novas variantes, como aconteceu no Botsuana, onde terá surgido o primeiro caso da Ómicron, depois identificada na África do Sul.

AP Photo/ Shiraaz Mohamed
Apesar dos sintomas leves da Ómicron, África do Sul acentuou a vacinação anticovidAP Photo/ Shiraaz Mohamed

Contudo, com a Covid-19 a espalhar-se rapidamente, a Agência Europeia de Medicamento (EMA) insiste no reforço da vacinação.

"Apesar de a atual recomendação ser para se tomar a dose de reforço passados seis meses, os dados suportam uma administração segura e efetiva da dose de reforço três meses após completar-se o processo primário de vacinação, se esse intervalo mais reduzido for o desejado de uma perspetiva de saúde pública", disse Marco Cavaleri, chefe da estratégia de vacinação da EMA.

Áustria defende vacinação obrigatória

Um dos países europeus mais determinados no processo é a Áustria. Com um rápido agravamento da Covid-19 em novembro e uma grande resistência de boa parte da população à imunização, o governo preparou o caminho legal para tornar a vacinação obrigatória para os maiores de 14 anos, com multas previstas até 3.600 euros.

A ministra dos Assuntos Constitucionais diz ter havido "muitas discussões nas últimas semanas com representantes da juventude, dos pensionistas, de grupos religiosos, do setor da saúde, com cientistas, sociólogos e economistas".

"A tendência destas discussões foi sempre clara: Precisamos de um requerimento geral de vacinação aqui na Áustria para sairmos desta pandemia", disse Karoline Edtstadler.

A decisão austríaca tem ainda de ser validada pelo parlamento, mas não parece ter obstáculos e deve começar a ser implementada já em fevereiro, com a Alemanha também a ponderar replicar a medida.

Outras fontes • Lusa, AP, AFP