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O protocolo de controlo da Covid-19 em Pequim e os hóteis para os infetados "olímpicos"

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De  Francisco Marques  com Associated Press
John Leicester, jornalista da Associated Press, na sala de isolamento profilático à espera do teste
John Leicester, jornalista da Associated Press, na sala de isolamento profilático à espera do teste   -   Direitos de autor  AP Photo/Steve Moyes

Trabalhar nuns jogos olímpicos é o sonho de muitos jornalistas, mas trabalhar nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, em plena pandemia de Covid-19, está a ser uma aventura e não é das boas.

A organização chinesa ativou uma "bolha" sanitária para detetar, controlar e cortar qualquer cadeia de infeções que possa surgir. Todos os dias os participantes nos jogos, atletas ou não, são testados.

Desde o início, já foram diagnosticados mais de 400 casos positivos em mais de 1,1 milhões testes. Os infetados são colocados em isolamento, mas há uma zona cinzenta.

As máquinas de testes utilizadas para controlar diariamente os participantes nos jogos efetuam uma série de análises e têm um mínimo de 35 sinais que informam estar tudo bem, mas se o resultado for abaixo de 35, a pessoa é colocada num isolamento profilático fora da "bolha olímpica", a aguardar confirmação da infeção.

John Leicester, jornalista da Associated Press, já foi apanhado duas vezes neste limbo. Deu negativo à Covid-19 e pôde voltar à liberdade condicional da "bolha olímpica", que separa os participantes nos jogos da população chinesa.

Mas um outro, o australiano Julian Linden, do jornal "Daily Telegraph", deu positivo e foi transferido para o hotel especialmente preparado para os "doentes covid" diagnosticados já em Pequim.

"Quatro pessoas surgiram à minha porta, vestidas com fatos 'hazmat' completos, e disseram-me que tinha de sair. Escoltaram-me para fora do hotel dos jornalistas", contou Linden, numa chamada vídeo de dentro do "hotel covid", onde filmou uma das visitas de controlo sanitário que recebeu.

Quando chegou ao hotel onde foi entretanto instalado, o jornalista sentiu ter entrado num "átrio do género do hotel do filme 'The Shining'".

"Não havia ninguém na receção e as únicas pessoas a receberem-me estavam vestidas com fatos 'hazmat', falavam através de tradutores nos telefones e disseram-me para as seguir. Levaram-me para o quinto andar, seguimos por um longo corredor vazio para um quarto, que tinha o meu nome na porta", explicou Julian Linden.

Quem entra nestes "hotéis covid" não sabe quando sai. Podem ficar em isolamento três, cinco, 10 dias ou mais, com a dificuldade da língua para poderem informar-se devidamente da respetiva situação.

Além disso, a experiência não parece ser nada a agradável. Alguns atletas que por ali passaram, e já foram mais de 80 desde o início dos jogos, queixaram-se do desconforto e da comida que lhes é disponibilizada.