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Eis os primeiros jogos olímpicos de inverno com neve 100% artificial: veja porquê

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De  Francisco Marques
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As encostas junto à pista de snowboard de Pequim2022 revelam a falta de neve natural
As encostas junto à pista de snowboard de Pequim2022 revelam a falta de neve natural   -   Direitos de autor  AP Photo/Jae C. Hong

O aquecimento global é uma ameaça real aos Jogos Olímpicos de Inverno e em Pequim, a partir de sexta-feira, vai obrigar a utilizar praticamente 100 por cento neve artificial, aponta um estudo publicado recentemente por uma equipa incluindo elementos da Universidade do Estado da Geórgia.

A organização dos jogos sediados na capital chinesa vão ter de recorrer a mais de 100 geradores de neve e a mais de 300 canhões para distribuir a neve pelas zonas de competição.

Este é cada vez mais um problema recorrente nos desportos de inverno e já em Sochi, em 2014, levou a Rússia a armazenar um ano antes mais de 700 mil metros cúbicos de neve para tentar colmatar a eventual falta de neve durante os jogos devido às previsões de altas temperaturas no período da competição, com uma média de 4°C à noite e 10°C durante o dia.

E, em 2008, em Vancouver, o Canadá recorreu a helicópteros e camiões para transportar neve de zonas mais elevadas para as áreas de competição dos jogos olímpicos de invernos, onde já tinha instalado geradores de neve devido a temperaturas sete graus acima da média.

Há oito anos, já havia previsão de então se previam problemas para se encontrar cidades frias o suficiente para futuras edições dos jogos olímpicos de inverno.

Um estudo efetuado por alturas dos jogos de Sochi indicava que apenas seis das 19 cidades-sede de Jogos Olímpicos de Inverno iriam poder repetir a competição até 2099 devido ao aquecimento global, podendo competições a céu aberto como as provas de esqui e snowboard terem de ser eliminadas no espaço de 40 anos devido à subida das temperaturas.

Taylor Gold faz parte da equipa de snowboard dos Estados Unidos e assume-se "triste" com a recorrente necessidade de "tanta neve artificial para os desportos de inverno".

"Apesar de os ‘halfpipes’ serem feitos normalmente de neve artificial, ainda assim têm de ser feitos. Por isso, precisamos das temperaturas bem frias para podermos ter neve, mas essas temperaturas estão a chegar cada vez mais tarde a cada ano", aponta Taylor Gold.

A tirar um doutoramento em ciências atmosféricas e oceânicas na universidade Colorado-Boulder, Tessa Gorte tem explica-nos que "muitas cidades estão a aquecer demasiado".

"Não estão apenas mais quentes, estão a ficar mais quentes e de forma mais rápida e isso gera muitos problemas para os Jogos Olímpicos, mas também para as economias locais, para o clima a longo prazo e para as condições [atmosféricas] diárias", avisa a doutoranda norte-americana.

O estudo "Slippery Slopes" ("encostas deslizantes", em tradução livre), publicado esta segunda-feira, tenta mostrar-nos "como as alterações climáticas estão a ameaçar os jogos olímpicos de inverno".

De acordo com a pesquisa, os jogos Pequim2022 serão "os primeiros a utilizar quase 100 por cento de neve artificial", o que vai obrigar a "usar quase 190 milhões de litros de água" para "gerar mais de 1,2 mil milhões de metros cúbicos de neve". E depois haverá ainda a questão da qualidade dessa neve, que em Sochi mereceu muitas críticas pela falta de consistência que torna inclusive perigosas algumas das competições.