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Demora no socorro do INEM provoca terceira morte em 48 horas

Ambulância acionada estava a 35 km de distância
Ambulância acionada estava a 35 km de distância Direitos de autor  Bombeiros de Carcavelos
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Uma idosa morreu esta quarta-feira na Margem Sul, depois de ter esperado cerca de 40 minutos pelos meios de emergência médica. Um homem de 68 anos também morreu em Tavira depois de mais de uma hora à espera de ambulância. São já três os óbitos registados em 48 horas devido a atrasos no socorro.

Um homem de 68 anos morreu na quarta-feira em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro. É a terceira morte no espaço de 48 horas devido à demora no socorro.

Fonte da família, que confirmou a notícia à agência Lusa, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e consumido um xarope.

De acordo com a informação recolhida pela Lusa, a primeira chamada para o 112 terá sido feita pelas 18h07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios.

A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18:47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória. A primeira ambulância foi acionada pelas 18h42.

Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18h49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia.

Segundo a fonte familiar, os primeiros meios de socorro só chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial de socorro.

Este caso acontece depois de na terça-feira um homem de 78 anos ter morrido no Seixal, depois de ter estado quase três horas à espera de socorro, e de uma idosa que morreu esta quarta-feira na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de ter esperado cerca de 40 minutos por uma ambulância quando se encontrava em paragem cardiorrespiratória.

Neste último caso, a mulher encontrava-se na Margem Sul, mas os bombeiros acionados foram os de Carcavelos, a 35 quilómetros de distância. A ambulância saiu dois minutos depois da chamada, mas a distância ditou o desfecho fatal.

A informação foi avançada pela própria corporação dos Bombeiros de Carcavelos numa publicação nas redes sociais.

"Durante a tarde de hoje, a nossa equipa foi mobilizada para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória (PCR) no concelho do Seixal, a cerca de 35 km de Carcavelos", descrevem os bombeiros, acrescentando que, "apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local".

Segundo a corporação, "em situações de PCR, cada minuto é determinante - por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência".

"Este tipo de ocorrência relembra-nos a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro, salientando que, mesmo com a melhor preparação técnica e humana, a distância é um fator crítico na probabilidade de sucesso da reanimação", frisam os Bombeiros de Carcavelos.

O responsável por esta corporação denunciou ainda, em declarações à CNN, que o envio de ambulâncias para a Margem Sul é recorrente.

Na terça-feira, um homem de 78 anos morreu no Seixal depois de quase três horas à espera de socorro dos meios de emergência médica, devido à falta de ambulâncias disponíveis também na Margem Sul, por estarem retidas nos hospitais.

O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, negou que se tenha tratado de uma falha do novo sistema de triagem, implementado no início do ano, depois de o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) ter denunciado que o novo sistema pode ter influenciado o "desfecho trágico".

A Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) confirmou a abertura de mais dois processos de inquérito aos casos das mortes em Sesimbra e Tavira. A IGAS já tinha aberto um outro inquérito ao caso da morte do idoso do Seixal.

Também o Ministério Público abriu esta quinta-feira um processo de inquérito sobre essa primeira morte e o INEM avançou para uma auditoria interna.

Governo aprova compra de 275 viaturas para o INEM e segura ministra da Saúde

No debate quinzenal, esta quinta-feira, no Parlamento, o primeiro-ministro foi confrontado com as três mortes associadas ao atraso no socorro do INEM. Luís Montenegro anunciou que foi aprovada a compra de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões.

"São 63 ambulânicas, 34 VMERs e 78 outros veículos. É o maior investimento do género da última década", sublinhou o chefe do executivo português.

Segundo Montenegro, foram comprados "apenas 100 veículos nos últimos 10 anos", num investimento de 4,8 milhões. Em 10 anos foi investido "um quarto do que este Governo decidiu ontem investir".

Questionado sobre se vai pedir a demissão da ministra da Saúde, o primeiro-ministro segurou Ana Paula Martins, garantindo que esta se vai manter no cargo.

"Aquilo que tenho a dizer é que os problemas da Saúde não se resolvem com demissões nem com jogadas políticas e político-partidárias, resolvem-se com convicção, resolvem-se com competência, resolvem-se com resistência, com resiliência e é para isso que este Governo, este primeiro-ministro e a ministra da Saúde está no Governo. E vai continuar no Governo", asseverou.

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