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Protestos em Minneapolis depois de agente de imigração ter matado a tiro uma condutora

Manifestantes reúnem-se em frente ao edifício federal Bishop Henry Whipple, em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026
Manifestantes reúnem-se em frente ao edifício federal Bishop Henry Whipple, em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
Publicado a Últimas notícias
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Dezenas de manifestantes reuniram-se na quinta-feira à porta de um edifício federal nos arredores de Minneapolis que está a servir de base para as rusgas dos agentes de imigração.

Na quinta-feira, em Minneapolis, manifestantes indignados saíram à rua depois de uma mulher dentro de um carro ter sido morta a tiro por um agente do Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) que participava na mais recente operação de repressão da administração Trump.

A mulher, identificada pelos meios de comunicação social locais como Renee Good, de 37 anos, foi atingida à queima-roupa quando aparentemente tentava afastar-se dos agentes que se aglomeravam à volta do seu carro, que, segundo eles, lhes estava a bloquear o caminho.

As imagens do incidente mostram um agente mascarado do ICE a tentar abrir a porta do carro da mulher antes de outro agente mascarado disparar três vezes contra o veículo, que perdeu o controlo e embateu em outros carros parados. Os cidadãos que estavam no local lançaram de imediato palavras de ordem contra os agentes.

Dezenas de manifestantes reuniram-se na quinta-feira à porta de um edifício federal nos arredores de Minneapolis que está a servir de base para as ações repressivas do ICE.

Manifestantes concentram-se no exterior do Edifício Federal Bishop Henry Whipple, em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026
Manifestantes concentram-se no exterior do edifício federal Bishop Henry Whipple, em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026 AP Photo

Gritaram "No More ICE" (ICE nunca mais), "Go Home Nazis" (Vão para casa Nazis), "Quit Your Job" (Abandonem o vosso emprego) e "Justice Now (Justiça Agora)!", enquanto os agentes os empurravam para fora do portão, lançando gás pimenta e gás lacrimogéneo.

"Devíamos estar horrorizados", disse a manifestante Shanta Hejmadi. "Devíamos estar tristes porque o nosso governo está a fazer guerra aos nossos cidadãos. Devíamos sair e dizer não. Que mais podemos fazer?"

Os protestos anti-imigração não se limitaram a Minneapolis, uma vez que também se realizaram ou eram esperadas manifestações em Nova Iorque, Seattle, Detroit, Washington, Los Angeles, Filadélfia, San Antonio, Nova Orleães e Chicago.

Também estavam previstos protestos em cidades mais pequenas no final da semana no Arizona, Carolina do Norte e New Hampshire.

Memorial improvisado em homenagem à mulher morta a tiro por agentes do ICE em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026
Memorial improvisado em homenagem à mulher morta a tiro por agentes do ICE em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026 AP Photo

Agentes do ICE não abandonam o Minnesota

Os líderes locais exigiram que os agentes do ICE deixassem o Minnesota, mas a Secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, disse que os agentes não vão deixar de atuar.

O Departamento de Segurança Interna enviou mais de 2.000 agentes para a área, no que diz ser a sua maior operação de controlo de imigração de sempre. Noem disse que mais de 1.500 pessoas já foram presas.

Agentes federais no exterior do Edifício Federal Bishop Henry Whipple em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026
Agentes federais à porta do Edifício Federal Bishop Henry Whipple em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026 AP Photo

Noem classificou o incidente como um "ato de terrorismo doméstico" contra os agentes do ICE, afirmando que a condutora "tentou atropelá-los e abalroou-os com o seu veículo".

"Um dos nossos agentes agiu rápida e defensivamente, disparou, para se proteger a si e às pessoas à sua volta", declarou.

O presidente norte-americano Donald Trump fez acusações semelhantes nas redes sociais e defendeu o trabalho do ICE.

Noem alegou que a mulher fazia parte de uma "multidão de agitadores" e disse que o oficial seguiu as instruções dadas em treino, acrescentando que o FBI iria investigar o caso.

Mas o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, considerou que a versão de Noem é "lixo".

"Já estão a tentar fazer passar isto por uma ação de autodefesa", disse Frey. "Tendo visto o vídeo, quero dizer diretamente a toda a gente que isso é uma treta."

Frey criticou também a intervenção federal e disse que os agentes deviam abandonar Minneapolis.

O diretor do Departamento de Investigação Criminal de Minnesota (BCA) disse na quinta-feira que o gabinete da procuradora dos EUA o tinha impedido de participar na investigação.

O Superintendente do BCA, Drew Evans, afirmou num comunicado que, após a agência ter consultado o Gabinete do Procurador do Condado de Hennepin, o Gabinete da Procuradora dos EUA e o FBI na sequência dos disparos, foi decidido que a Unidade de Investigações da Força do BCA conduziria uma investigação conjunta com o FBI.

Mas, segundo Evans, o FBI informou posteriormente o BCA de que o gabinete da procuradora dos EUA tinha alterado o plano.

"A investigação passaria a ser conduzida exclusivamente pelo FBI e o BCA deixaria de ter acesso aos materiais do processo, às provas do local ou às entrevistas de investigação necessárias para efetuar uma investigação completa e independente", escreveu Evans.

Um manifestante segura um cartaz onde se lê "Renee" em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026
Um manifestante segura um cartaz onde se lê "Renee" em Minneapolis, 8 de janeiro de 2026 AP Photo

"Sem acesso completo às provas, testemunhas e informações recolhidas, não podemos cumprir os padrões de investigação que a lei de Minnesota e o público exigem. Como resultado, o BCA retirou-se com relutância da investigação", escreveu.

Os disparos marcam uma escalada dramática da última de uma série de operações de controlo da imigração nas principais cidades sob a administração Trump. É pelo menos a quinta morte relacionada com as ações destes agentes do ICE.

Outras fontes • AP

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