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Irão não exclui atacar bases na Europa, diz embaixador na ONU

Ali Bahreini, embaixador e representante permanente do Irão junto do Gabinete das Nações Unidas em Genebra, durante uma entrevista à Euronews.
Ali Bahreini, embaixador e representante permanente do Irão junto do Escritório da ONU em Genebra, durante uma entrevista à Euronews Direitos de autor  Euronews
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De Lauren Walker & Sasha Vakulina
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O embaixador do Irão junto da ONU em Genebra negou em entrevista à Euronews ataques a países vizinhos, mas admitiu ordens para visar bases militares dos EUA, incluindo na Europa.

Ali Bahreini, embaixador do Irão e representante permanente junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra, deixou em aberto a possibilidade de Teerão atacar países europeus, numa altura em que a guerra se prepara para entrar na terceira semana.

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"Deixemos claro: as nossas forças militares anunciaram uma política segundo a qual qualquer instalação, qualquer base utilizada para atacar o Irão passa a ser um alvo legítimo das nossas forças", afirmou o diplomata no programa de entrevistas da Euronews 12 Minutes With.

Questionado se isso poderia incluir instalações situadas na Europa, Bahreini respondeu: "Defenderemos o nosso país conforme o que for necessário para garantir a sua segurança e para assegurar que não haja qualquer agressão contra o nosso território".

Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron anunciou que um militar francês foi morto num ataque na região autónoma do Curdistão iraquiano, o que representa a primeira morte de um militar francês na guerra no Médio Oriente. Outros seis soldados ficaram feridos.

Sem reivindicar diretamente o ataque, um grupo armado xiita pró-iraniano, o Ashab al-Kahf, anunciou em comunicado que passará a visar "todos os interesses franceses no Iraque e na região", sobretudo após a chegada de um porta-aviões francês, atualmente a operar no Mediterrâneo Oriental.

Por outro lado, dois dias depois do início da guerra, um drone alegadamente fabricado no Irão atingiu a base da RAF de Akrotiri, em Chipre. No dia seguinte, dois drones que se dirigiam para a base foram intercetados.

O Ministério da Defesa britânico afirmou acreditar que o drone que atingiu a base foi lançado por uma milícia pró-iraniana no Líbano ou no oeste do Iraque. O primeiro-ministro, Keir Starmer, salientou que o aparelho foi lançado antes de o Reino Unido anunciar que permitiria aos Estados Unidos utilizar bases britânicas para ações "defensivas".

Entretanto, a Turquia, onde se situa a base aérea de Incirlik das forças armadas dos EUA, também ficou no meio da escalada do conflito. A NATO abateu dois mísseis iranianos em aproximação nos últimos dias.

Bahreini disse à Euronews que responsáveis iranianos rejeitaram estas notícias sobre ataques no espaço aéreo turco. "O nosso presidente esteve em contacto com o presidente turco e penso que ficou bastante claro para ambos que não houve qualquer ataque da nossa parte contra esse país".

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, confirmou na segunda-feira que falou com o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, a quem disse que a violação do espaço aéreo da Turquia "não pode ser desculpada por motivo algum".

Em resposta à entrada de mísseis balísticos iranianos no espaço aéreo turco, a NATO afirmou estar "preparada" para defender o território dos seus membros. Fontes da NATO disseram à Euronews que, para já, não há qualquer indicação de que a Turquia esteja a acionar procedimentos formais na aliança para iniciar ações contra o Irão.

Irão nega atacar Estados do Golfo

O diplomata iraniano criticou duramente os ataques norte-americano-israelitas contra o seu país, alegando que violam o direito internacional. Denunciou também aquilo que descreveu como ataques dos Estados Unidos a infraestruturas civis no Irão, apontando o bombardeamento de uma escola primária em Minab, que as autoridades iranianas dizem ter causado 168 mortos, a maioria crianças.

Já Bahreini negou que Teerão esteja a atacar alvos civis em toda a região do Golfo. Jornalistas da Euronews no terreno, no Dubai e em Doha, têm documentado ataques de Teerão contra infraestruturas civis, incluindo aeroportos, edifícios residenciais e hotéis, mas estas informações foram rejeitadas pelo diplomata, que afirmou não estarem "verificadas".

Todos os países do Golfo atacados pelo Irão desde o início da guerra reiteraram várias vezes que "condenam firmemente os ataques não provocados" lançados por Teerão contra os seus territórios.

As declarações do embaixador surgem poucos dias depois de o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pedir desculpa aos vizinhos do Golfo pelos ataques.

Acrescentou ainda que às forças armadas iranianas foi dada instrução de que "a partir de agora não devem atacar países vizinhos nem lançar mísseis contra eles, exceto se formos atacados a partir desses países".

Esta declaração foi feita antes da nomeação do novo aiatola linha-dura, Mojtaba Khamenei.

Para além do aumento do número de mortos nos países envolvidos, a continuação da guerra no Médio Oriente está a ter impactos económicos crescentes, fazendo disparar o preço do petróleo. Na quinta-feira, porém, o presidente dos EUA, Donald Trump, procurou dar uma leitura positiva à escalada dos preços do crude numa publicação na Truth Social, sugerindo que isso acabará por ser benéfico para os norte-americanos.

Entretanto, continuam pouco claras a calendarização e os objetivos finais da guerra por parte do presidente Trump. No início da semana, enviou sinais contraditórios, ao afirmar primeiro que a guerra "está praticamente concluída" e, horas depois, que "pode ir mais longe (...) e nós vamos mais longe".

Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, definiu as suas condições para pôr fim à guerra, escrevendo na plataforma social "X" que "a única forma de acabar com esta guerra (...) passa pelo reconhecimento dos direitos legítimos do Irão, pelo pagamento de indemnizações e por garantias internacionais firmes contra futuras agressões".

Para Bahreini, o objetivo do Irão é "acabar com este círculo vicioso de negociar e ser atacado".

"Queremos prosseguir a nossa ação defensiva até chegar a um ponto em que a agressão cesse. Têm de chegar a um novo entendimento de que não podem derrotar o Irão".

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