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Salman Rushdie, o escritor proscrito do Islão

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De  Euronews
Salman Rushdie
Salman Rushdie   -   Direitos de autor  Rogelio V. Solis/Copyright {2018} The Associated Press. All rights reserved

Bastou um único episódio para a história de Salman Rushdie sofrer um volteface. Aos 40 anos, o escritor britânico publicava "Os Versos Satânicos" e com um livro alterava para sempre a vida real num mundo povoado de fanatismo.

Educado no seio de uma família muçulmana de Bombaim, Rushdie é hoje alvo de ódio em grande parte do universo islâmico.

Poucos terão lido as 600 páginas dos Versos Satânicos, mas a indignação um pouco por todo o mundo, deu já origem a vários protestos contra a publicação da sua obra e à proibição do livro em vários países.

a 14 de Fevereiro de 1989, o Ayatollah Khomeini condenava o autor e todos os envolvidos na publicação do livro à morte.

A sentença levaria o escritor a uma semiclandestinidade, em que nem por isso desistiu de escrever. Uma obra marcada pelo "realismo mágico" e uma vida à espera - sem grande esperança - que a realidade mudasse.

Rushdie apelou ao Irão que deixasse de ter a sua cabeça prémio e à União Europeia que pressionasse o Irão a anular a decisão com base na lei religiosa, conhecida como "fatwa".

Mas a ameaça acompanhou o autor ao longo dos anos e com ele muitos dos que ousaram traduzir a sua obra, acabando feridos em ataques, ou mesmo assassinados

Em 1996, Rushdie recusou deslocar-se à Dinamarca para receber o prémio Aristeion de literatura. Chegou mesmo a responder por outro nome, o de Joseph Anton. em homenagem a Joseph Conrad et Anton Tchekhov, um dos seus autores favoritos.

A fadiga de uma vida na sombra acabaria, no entanto, por fazer o autor regressar aos eventos públicos, apesar de toda a vigilância em redor.

Em 2018, já a viver nos Estados Unidos, confessava, por altura da publicação do seu romance "O Último Suspiro do Mouro", que se sentia um pouco mais liberto das amarras da fatwa.

"Agora está tudo bem. Eu tinha 41 anos na altura [da fatwa], tenho agora 71 anos. Vivemos num mundo em que as preocupações estão a mudar muito rapidamente. Há agora muitas outras razões para se ter medo, mais pessoas para matar".

Já este ano, mais de três décadas passadas sobre a primeira edição de "Os Versos Satânicos", Salman Rushdie tinha acabado de anunciar a publicação do 15º romance, quando foi esfaqueado, durante uma conferência em Nova Iorque. A mesma cidade que escolheu para tentar viver uma vida quase normal.