A luta dos refugiados ucranianos por uma casa em Berlim

Um antigo aeroporto na região de Berlim foi transformado num centro com centenas de contentores para os refugiados.
Um antigo aeroporto na região de Berlim foi transformado num centro com centenas de contentores para os refugiados. Direitos de autor Markus Schreiber/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
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Fugiram da guerra na Ucrânia, mas enfrentam lutas pela sobrevivência nas cidades europeias que os receberam. A crise da habitação em Berlim deixa muitos refugiados sem-abrigo.

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Eleonora fugiu da Ucrânia para Berlim em março do ano passado. Desde então, viveu em cinco sítios e sem aquecimento no inverno. 

Não conseguiu encontrar uma habitação permanente em Berlim, tal como muitos refugiados presos na crise imobiliária da cidade. Para eles, mais que para qualquer pessoa, encontrar uma casa permanente é um desafio.

"Para mim, é muito difícil dizer que sou uma sem-abrigo. Mas depois apercebo-me que em Berlim há muitos sem-abrigo parecidos comigo, talvez com empregos, com todas as oportunidades, mas não conseguem encontrar uma casa e ficam sem-abrigo."

Para mim, é muito difícil dizer que sou uma sem-abrigo. Mas depois apercebo-me que em Berlim há muitos sem-abrigo parecidos comigo, talvez com empregos, com todas as oportunidades, mas não conseguem encontrar uma casa e ficam sem-abrigo.
Eleonora
Refugiada da Ucrânia, em Berlim

A falta de alojamento obrigou Berlim a transformar um antigo aeroporto num centro com centenas de contentores para os refugiados. 

Os governos locais dizem que é necessário mais apoio financeiro - especialmente tendo em conta a inflação e o aumento do número de requerentes de asilo.

Nos primeiros quatro meses deste ano, registou-se um aumento de 78% nos pedidos de asilo, em comparação com o mesmo período do ano passado. O governo nacional prometeu mil milhões de euros adicionais no início deste mês, mas alguns políticos dizem que isso não é suficiente.

Em Brandenburgo - junto a Berlim - estão previstas para este ano a construção de 3 mil casas em contentores. 

Petra Budke, deputada do Parlamento Europeu, afirma que esta não é uma solução a longo prazo e defende que as licenças para a construção de casas têm de ser simplificadas.

"Temos de construir muito mais apartamentos no futuro e temos de começar já. O processo burocrático demora muito, muito tempo e poderia ser encurtado. Isso ajudaria muito", afirma.

A repórter da Euronews, em Berlim, Kristina Jovanovski, refere: "Não é apenas a falta de alojamentos e recursos que constituiu um desafio. Também se registaram protestos em toda a Alemanha contra os planos de construção de mais alojamentos. Algumas dessas manifestações têm sido organizadas por políticos de extrema-direita que são contra a presença de mais refugiados nas suas cidades".

Eleonora tem de deixar o apartamento em que vive atualmente esta semana. Vai ficar em casa de amigos durante algumas semanas. Não sabe o que vai fazer depois. Está a considerar regressar à Ucrânia porque diz que não quer simplesmente sobreviver em Berlim. 

"Não quero sobreviver e andar sempre à procura de um apartamento ou passar fome. Só quero viver plenamente a minha vida e prefiro viver uma vida curta, mas mais feliz, com todas as emoções", diz.

O governo federal previu, para o próximo mês de novembro, outra reunião com os governos locais sobre a forma de lidar com os requerentes de asilo.

Segundo a imprensa alemã, estima-se que entre 2.000 e 6.500 pessoas vivam sem casa em Berlim. Sem um teto, estas pessoas são particularmente vulneráveis durante os dias de calor extremo, no verão, e as temperaturas negativas durante o inverno.

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