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Paramount processa Warner Bros, lança batalha por procurações para travar acordo com a Netflix

Arquivo. CEO da Skydance Media, David Ellison, comparece à estreia de “Fountain of Youth” no Museu Americano de História Natural. 19 de maio de 2025.
ARQUIVO. David Ellison, CEO da Skydance Media, comparece à estreia de «Fountain of Youth» no Museu Americano de História Natural. 19 de maio de 2025. Direitos de autor  Evan Agostini/Invision/AP
Direitos de autor Evan Agostini/Invision/AP
De Una Hajdari
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Paramount Skydance alega que a operação da WBD com a Netflix subavalia a empresa, defende decisão dos acionistas e prepara batalha de procurações e ação judicial em Delaware

Paramount Skydance intensificou a disputa pela aquisição da Warner Bros Discovery, dizendo aos acionistas que vai nomear administradores para o conselho da WBD, opor-se à fusão proposta com a Netflix e avançar com ação judicial para forçar maior divulgação sobre esse acordo.

A iniciativa segue meses de disputas entre os maiores conglomerados de media nos EUA em torno de um dos principais grupos de Hollywood, com os acionistas entre uma oferta, totalmente em dinheiro e integralmente financiada, da Paramount, e uma estrutura de fusão mais complexa da Netflix.

“Nos últimos dias, após a decisão da Warner Bros Discovery (‘WBD’) de não dialogar com a Paramount sobre a nossa oferta em dinheiro de 30 dólares por ação para adquirir toda a WBD… continuamos a receber a mesma pergunta: o que acontece a seguir?”, afirmou a empresa em comunicado.

A Paramount sustenta que a recusa da WBD em dialogar deixou os acionistas como decisores finais.

“A Paramount irá propor uma alteração aos estatutos da WBD para exigir aprovação dos acionistas da WBD para qualquer separação das Global Networks... garantindo que os acionistas tenham a última palavra sobre qual proposta é melhor para si”, lia-se no comunicado.

A empresa disse que planeia apresentar uma lista de administradores na assembleia geral anual de 2026 da WBD e, se necessário, solicitar votos contra a aprovação da operação com a Netflix.

As manobras têm implicações políticas e editoriais mais amplas. O controlo das Global Networks da WBD incluiria a CNN, cuja futura independência editorial se tornou motivo de preocupação, num contexto de receios de maior influência dos acionistas sobre a cobertura política.

Essas preocupações agravaram-se com recentes mudanças de governação no panorama mediático dos EUA, incluindo a nomeação da comentadora conservadora “anti-woke” Bari Weiss para liderar o canal histórico CBS, detido pela Paramount.

Os vínculos políticos da família Ellison, que controla a Paramount Skydance, poderão também influenciar prioridades na programação informativa, caso a Paramount tenha sucesso. A família tem manifestado publicamente apoio ao Presidente Trump.

A avaliação está igualmente no centro da disputa. A Paramount insiste que a sua oferta totalmente em dinheiro, de 30 dólares por ação, é claramente superior ao acordo proposto pela Netflix, que combina numerário, ações da Netflix e um spin-off planeado dos ativos das Global Networks da WBD. A Paramount sustenta que esta última opção introduz incerteza e entrega menos valor no conjunto.

A Paramount apresentou agora uma ação no Delaware Chancery Court, procurando obrigar a WBD a revelar como avaliou a operação com a Netflix, o spin-off das Global Networks e quaisquer transferências de dívida associadas ao acordo. Argumenta que os acionistas não podem tomar uma decisão informada sem essa informação.

“Os acionistas da WBD precisam desta informação para tomarem uma decisão de investimento informada sobre a nossa oferta e, crucialmente, a lei de Delaware tem exigido de forma consistente que tal informação seja disponibilizada aos acionistas”, argumentaram.

O confronto evidencia também a rivalidade mais ampla entre estúdios tradicionais e gigantes do streaming. A Netflix tem procurado, há anos, consolidar conteúdos, produção e distribuição na sua plataforma, enquanto a Paramount tem procurado ganhar escala para competir num mercado de streaming cada vez mais concentrado.

A Warner Bros Discovery, proprietária da HBO, da CNN e dos estúdios Warner Bros, está no centro dessa disputa, valorizada pelo seu catálogo, pelas suas franquias e pelo alcance global.

A Paramount disse que continua a preferir um desfecho negociado e acusou o conselho da WBD de não ter dialogado de forma adequada antes de aceitar o que considera ser um acordo inferior.

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