O Governo português está a desenvolver diligências diplomáticas para libertar pelo menos seis cidadãos nacionais considerados presos políticos na Venezuela. O MNE também está a acompanhar pedidos de portugueses que procuram sair do Irão devido à escalada de violência no país.
O Governo está a tentar libertar vários presos políticos portugueses detidos na Venezuela, após a intervenção militar dos Estados Unidos que levou à detenção do presidenteNicolás Maduro.
De acordo com a CNN Portugal, que avança com a informação, já foram iniciadas diligências para a libertação dos cidadãos nacionais.
Neste momento, estão neste processo seis pessoas. No entanto, o número poderá subir para sete, uma vez que um empresário português pode ver o seu caso reclassificado como preso político.
Segundo a estação televisiva, que cita uma fonte governamental, entre os detidos encontram-se homens e mulheres, civis e militares na reserva, presos há vários anos. Há cidadãos portugueses privados detidos desde 2019, 2020 e 2022, assim como detenções mais recentes ocorridas em 2024 e 2025.
Os cidadãos estão atualmente retidos em várias unidades prisionais e policiais venezuelanas, nomeadamente estabelecimentos como o Rodeo I e II, Las Crisálidas, CENAPROPEMIL, bem como instalações da Polícia Nacional Bolivariana e do serviço de investigação criminal.
Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou à Euronews que o Governo está a tentar libertar todos os presos políticos portugueses da Venezuela, algo que acontece "desde que foram detidos".
No sábado, foram libertados vários presos políticos venezuelanos e estrangeiros, mas na lista não consta nenhum cidadão português.
A comunidade portuguesa na Venezuela é uma das maiores da diáspora. Mais de 80% da comunidade é originária da Região Autónoma da Madeira, mas também há portugueses do norte de Portugal continental, principalmente de Aveiro.
Sobre o número de portugueses a viverem no país, cerca de 220 mil pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os luso-descendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade "seja bastante superior", uma vez que o registo consular não é obrigatório.
Dois portugueses pedem ajuda ao Governo para sair do Irão
Esta segunda-feira, também dois portugueses pediram ajuda ao Governo para sair do Irão, face à violência que atinge o país.
Todos os portugueses no Irão estão identificados pelo Governo e não há razões para preocupação, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Paulo Rangel, que falava aos jornalistas no final de uma visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, esclareceu que se tratam de menos de uma dezena de cidadãos portugueses que se encontram no Irão e cada caso está a ser acompanhado individualmente.
Pelo menos 544 pessoas morreram na sequência de manifestações que começaram a 28 de dezembro, em protesto contra a crise económica e o custo de vida, numa altura em que a economia do país é arrasada pelas sanções internacionais, em parte impostas devido ao seu programa nuclear. Os protestos intensificaram-se e transformaram-se em apelos que desafiam diretamente a teocracia iraniana.
Paulo Rangel recordou que o Governo português condenou os "violentíssimos ataques que estão a ser feitos aos manifestantes" no Irão.
"Condenamos veementemente o ataque aos cidadãos iranianos e apelamos ao respeito profundo, quer pelas liberdades essenciais e fundamentais, quer pelos direitos humanos, no caso do Irão", afirmou, defendendo que "é fundamental que as autoridades iranianas respeitem os direitos das pessoas que se estão a manifestar e isso é uma posição clara do Governo português".